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quarta-feira, 8 de junho de 2011

2ªS SÉRIES - A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA


2ªSÉRIES - 2º BIMESTRE


A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA


Introdução

A indústria é uma atividade humana e econômica que transforma, em etapas sucessivas, produtos naturais em bens para o consumo. Ela apresenta como lado positivo a geração de empregos, o desen- volvimento econômico de uma região e o acesso à tecnologia, mas, por outro lado, gera poluição e agrava as desigualdades sociais.
A produção industrial moderna, no sistema capi- talista, é realizada no âmbito das empresas e dos estabelecimentos industriais. A empresa industrial é a unidade financeira de produção, que pode englobar um ou mais estabelecimentos industriais e que realiza as compras e vendas necessárias ao funcionamento da indústria.
O estabelecimento industrial é a unidade técnica de produção através da qual se obtém um produto final ou uma linha de produtos que emprega as mesmas matérias-primas ou os mesmos processos industriais. Assim, o estabelecimento industrial põe em funciona- mento os meios de produção, e a empresa industrial cria as condições para esse funcionamento (compra as matérias-primas necessárias, os equipamentos e as máquinas, paga o pessoal, consegue capitais, empréstimos, vende a produção etc.)

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Indústria têxtil (Tipo instalado desde o século XIX)


Tipos

Existem diversos critérios para se classificar a produção industrial. Se tomarmos como ponto de referência o destino final da produção, podemos distinguir as indústrias de bens de equipamento e as indústrias de bens de uso ou de consumo.

Os bens de equipamento, também chamados bens de produção ou bens de capital, são os produtos industriais que não se destinam ao consumo imediato das populações, mas são utilizados para manter e ampliar a própria produção industrial.

Incluem-se nessa categoria a produção de energia, de máquinas, de ferramentas, de aparelhos, como também a própria produção de matérias-primas e de produtos semi-elaborados. Os consumidores dos bens de equipamento são as próprias empresas industriais.

Bens de uso ou de consumo são os produtos industriais destinados ao consumo imediato, não necessitando de novas transformações industriais. Como exemplo poderíamos citar o automóvel ou os calçados (bens de uso), os alimentos, as bebidas, o fumo (bens de consumo).

Outra forma de classificar as indústrias é agrupá-las em pesadas e leves, usando-se como critério o volume de investimento que elas demandam.

A indústria pesada é sempre de grande porte, transformando enormes quantidades de matéria-prima. É o caso das indústrias siderúrgicas, das petro- químicas e das indústrias de mecânica pesada. Chamam-se também indústrias de base. Além de demandar grande investimento de capital, costumam concentrar-se geograficamente na proximidade das áreas produtoras das matérias-primas ou dos grandes centros de consumo de seus produtos.

A indústria leve engloba os setores industriais cuja produção não depende de investimentos vultosos, podendo operar mesmo em pequena escala. É o caso das indústrias alimentícias, têxteis, das metalúrgicas produtoras de peças, e ainda das indústrias fabricantes de aparelhos e equipamentos de alta precisão, como máquinas calculadoras, computadores etc. A indústria leve apresenta maior dispersão geográfica que a indústria de base.

Histórico

Antes da industrialização, a organização do espaço geográfico no Brasil era do tipo “arquipélago”, ou seja, áreas relativamente independentes e sem integração umas com as outras. Cada área tinha mais relações com o exterior, sobretudo com o mercado europeu, do que com as demais áreas. As “ilhas” desse arquipé- lago eram: a cana da Zona da Mata, o tabaco de Salvador, o ouro de Minas Gerais, a borracha da Amazônia e o café do Sudeste. A industrialização promove a integração do espaço nacional, colocando fim ao “arquipélago econômico”.

No século XIX, a industrialização do país era fraca, em razão de vários fatores, como o domínio econômico da aristocracia rural agroexportadora e das relações escravagistas de trabalho. O escravo era um empecilho à industrialização, pois não participava do mercado consumidor, já que não recebia rendimentos, além do que não poderia ser demitido numa crise ou contratado numa fase de expansão. Observe, pela tabela a seguir, a “tímida” industrialização.


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Fonte: Heitor Ferreira Lima, História político-econômica e industrial do Brasil


A cafeicultura foi básica para a industrialização do país, pois foi com os capitais gerados pelas expor- tações do café que se adquiriram as primeiras máquinas para as indústrias. Os imigrantes, atraídos pelo café, também contribuíram para o processo, já que dispunham do hábito de consumir produtos, ampliando o mercado interno de consumo, além de formar uma importante mão-de-obra operária para a indústria nascente. Este imigrante foi a opção para substituir o trabalho escravo, extinto em 1888. A cafeicultura desenvolveu o transporte ferroviário , sobretudo em São Paulo, direcionado ao porto de Santos, objetivando o mercado externo. Essa infra-estrutura também foi aproveitada pela indústria, que era caracterizada pelos setores de alimentação e têxtil.

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Fonte: Heitor Ferreira Lima, História político-econômica e industrial do Brasil

Pela tabela, percebe-se que a industrialização nacional começou com a indústria leve ou de bens de consumo não-duráveis, não ocorrendo a implantação de indústria de bens de produção, exigindo a impor- tação de máquinas, aumentando a dependência tecnológica em relação aos países ricos. Essas indús- trias verificadas na tabela exigiam baixo investimento de capital e atendiam às necessidades imediatas da população.
No campo político, surgiram as ligas operárias em 1870, que originaram os sindicatos de trabalhadores, evidenciando os conflitos entre os trabalhadores e os empresários. Aqueles reivindicavam aumento de salário, redução da jornada de trabalho e melhores condições para se trabalhar; enquanto estes respon- diam com ameaça de desemprego.
Em suma, a nossa industrialização inicial ficou conhecida por tardia, pois os países centrais já estavam bem avançados, o que garantia a hegemonia mundial.




Exercícios Resolvidos

01. Indique pelo menos três fatores positivos para uma adequada localização de indústrias.
Resposta
Proximidade das matérias-primas, do mercado consumidor, de mão-de-obra numerosa, das vias de transporte, de energia abundante etc.

02. (Fuvest-SP) Relacione e justifique dois fatores relevantes que favoreceram o processo de industria- lização na cidade de São Paulo.
Resposta
– Concentração de capitais advindos do café, pois os recursos obtidos com a sua exportação perma- neciam no Brasil, diferentemente da cana no período colonial.
– Criação de mercado consumidor devido ao em- prego de mão-de-obra assalariada, exemplificada pelos imigrantes.



A Revolução Industrial Brasileira

A industrialização brasileira iniciou-se no século XIX, sem apoio do Estado, uma vez que não existia uma clara política estatal para o setor, mas, a partir de 1930, o Estado assumiu a industrialização, o que causou uma verdadeira revolução. Os fatores eram positivos, como o êxodo rural gerado pela crise na cafeicultura, aumentando a classe operária e o próprio mercado consumidor; a redução das importações, devido à crise mundial de 1929; a substituição dessas importações, devido à Segunda Guerra Mundial.
Junto a esses fatores, Getúlio Vargas adotou uma política nacionalista calcada num desenvolvimento autônomo com base industrial, fato exemplificado pelo plano qüinqüenal de 1939; pela instalação da Compa- nhia Siderúrgica Nacional, a CSN(1941), em Volta Redonda; e pela criação da Companhia Vale do Rio Doce, a CVRD ( 1942 ), em Minas Gerais, atuando na área extrativa. Ainda no “ espírito” nacionalista, surgiu, em 1938, o Conselho Nacional do Petróleo, e a Petrobras, em 1953, objetivando controlar o petróleo para o desenvolvimento dos transportes.

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Fonte: Diniz, Eli. Empresário, Estado e Capitalismo no Brasil (1930-45)


A tabela evidencia nossa revolução industrial e uma maior diversificação com metalurgia, cimento, mecânica, material elétrico, transportes, entre outras, sobretudo em São Paulo e Rio de Janeiro, por causa da infra-estrutura deixada pela cafeicultura.



O Governo Juscelino Kubitschek

Este governo, de 1956 a 1961, adotou uma política desenvolvimentista, baseada numa maior intervenção do Estado na economia e no desenvolvimento indus- trial dependente de capitais e tecnologia estrangeiros.
Nesse contexto, foi lançado o Plano de Metas, consagrado pela frase “ Crescer 50 anos em 5”, cujos objetivos abrangiam seis grupos: energia, transporte, alimentação, indústria de base, educação e a construção de Brasília. O plano foi marcado pela invasão de multinacionais e pelo desenvolvimento da infra-estrutura, notadamente rodovias e hidrelétricas, com capital estatal. Observe, pela tabela abaixo, a entrada do capital estrangeiro.

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Fonte: Luiz Carlos Bresser Pereira, Desenvolvimento e crise no Brasil.

Esse capital impulsionou as indústrias de bens de consumo duráveis, principalmente automóveis e eletro- domésticos, e aumentou o consumo dos derivados de petróleo. As multinacionais impuseram novidades de consumo, idealizadas pelo american way of life, ampli- ando o seu poder na América Latina. O resultado foi o aumento da dependência econômica e tecnológica em relação aos países ricos, sobretudo EUA e Alemanha, além da elevação do endividamento externo.

Em suma, o Plano de Metas assentava-se num tripé: capital estrangeiro , capital nacional e a indústria de base, com preocupação quanto à expansão da rede de transportes rodoviários e à produção de energia hidrelétrica.


O Milagre Econômico (1967-1973)

A partir de 1967, retomou-se o processo de desenvolvimento, graças à conjuntura favorável no plano internacional, que contava com um excesso de liquidez, ou seja, dólares à procura de aplicação. Aproveitando a situação, o ministro Delfim Netto lançou o plano de combate à inflação, assentado em duas bases: o endividamento externo para a obtenção da tecnologia estrangeira e a concentração da renda para criar um mercado consumidor.
Esse plano garantiu um crescimento econômico, mas condenou o mercado a se desenvolver de uma forma distorcida, aumentando as desigualdades sociais.

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Fonte: IBGE


Outro lado negativo foi a perda da soberania nacional, em razão da dominação da nossa economia pelas multinacionais. O país cresceu economicamente 10% ao ano (PIB) e transformou-se na oitava economia do mundo capitalista, mas ganhou vários problemas, como dívida externa (1964: 2,5 bilhões de dólares; 1978: 40 bilhões) e o título negativo de campeão das desigualdades sociais. A partir daí, aumentaram muito os miseráveis (ou excluídos) do país. (Observe a charge).


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Fonte: Folha de S. Paulo

O “milagre” ocorreu no Regime Militar (1964-85), marcado pela grande influência do Estado tanto na regulação da economia como também na atitude econômica. Um bom exemplo industrial organizado pelo Estado foi a criação da Suframa, a Superintendência da Zona Franca de Manaus, em 1968, atrelada à Sudam. Ela vendia terrenos para as fábricas a preços simbólicos, com incentivos à exportação e à importação, bem como isenções de impostos, como o IPI e o ICMS. O parque industrial abrangeu fábricas de motocicletas, bebidas, metalúrgicas, tecidos, relógios, motores, eletrônicos, e até uma refinaria de petróleo.

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Fonte: IBGE

Das quatro superintendências do mapa, três foram criadas pelo regime militar: a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em 1966; a Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul (Sudesul), em 1967; e a do Desenvolvimento da Região Centro-Oeste (Sudeco), em 1968. A da Região Nordeste foi criada 1959. Elas evidenciaram a política federal de integração e desenvolvimento nacional, visando a diminuir as disparidades regionais e a concentração econômica no Sudeste.


Exercícios Resolvidos

01. (Fuvest-SP) No período compreendido entre os anos JK e o final do governo Geisel, o Brasil apresentou, entre outras características econômicas:
a) o predomínio da substituição de importações de bens de consumo e a redução das disparidades regionais.
b) grande desenvolvimento industrial dependente de tecnologia e capitais estrangeiros e maior intervenção do Estado na economia.
c) grande expansão das empresas industriais de capitais nacionais, privados e estatais, e declínio da dívida externa.
d) o predomínio da substituição de importações de bens de consumo e menor intervenção do Estado na economia.
e) grande desenvolvimento industrial dependente de tecnologia e capitais estrangeiros e a redução das disparidades regionais.
Resposta: B.Foi o período de maior invasão das multinacionais.

02. (Vunesp) O período de 1969-1973 caracterizou-se pelo crescimento acelerado da economia brasileira, ou seja, as taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) alcançaram cifras superiores a 10% ao ano. Este processo foi gerado por medidas político-econômicas implementadas pelos governos militares pós-64. Nesse período, ocorreu o que se denominou de:

a) “Milagre brasileiro”.
b) “Crescer 50 anos em 5”.
c) “Brasil ano 2000”.
d) “Plano de Metas”.
e) “Diretas já”.
Resposta: A
O “milagre” foi articulado pelo economista Delfim Netto.
Leitura Complementar:

O Pós-1985


A década de 1980 ficou conhecida como a década perdida e foi caracterizada pela recessão, inflação e desemprego, gerados por uma economia estagnada após o segundo choque do petróleo de 1979. Nesse contexto, vários setores da sociedade apontavam o fim do Regime Militar, como “saída” para a crise, mas os problemas continuaram (como a inflação elevada) com os governos civis no poder, fato que comprometeu a nossa industrialização.
Para controlar a inflação, só no governo Sarney, três planos foram tentados, mas todos fracassaram, deixando a classe média mais pobre, com a queda do poder aquisitivo dos salários: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989). Nos demais governos, Collor, Itamar e FHC, foi adotada a receita neoliberal, imposta pelos EUA e pelo FMI, na qual o objetivo visa a diminuir a participação do Estado na economia, com privatizações. Começou com as siderúrgicas e passou pela telefonia, energia e extrativismo mineral, entre outros setores.
A sociedade passou a questionar o modelo neoliberal, pois a qualidade dos serviços piorou, as tarifas ficaram elevadas e, o pior, o dinheiro obtido das vendas das empresas estatais foi usado apenas para pagar os juros da dívida externa. A reeleição de FHC, em 1998, foi explicada pelo mérito em controlar a inflação.




Para agravar a industrialização, o modelo neoliberal está inserido no processo de globalização, coordenado pelos EUA e por outros países ricos, abrindo mais a economia nacional para o grande capital, gerando falências internas, pois a concorrência é desleal. Essa modernidade imposta não foi acompanhada por reformas estruturais, fato constatado nos dois gover-nos de FHC, pois não ocorreu a reforma tributária, fundamental para nossa industrialização, reduzindo o poder de investimentos. Resultados: agravamento da exclusão social, desemprego, concentração de renda e arrocho salarial.


Concentração e Desconcentração Industrial

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Fonte: MEC/FAE, Atlas geográfico, p. 28.

Quanto à distribuição espacial da indústria, o que se verifica é uma grande concentração de estabe- lecimentos na região Sudeste.
A concentração industrial na região Sudeste e, sobretudo, no Estado de São Paulo, deve-se a fatores históricos que já conhecemos. Esses fatores (a lavoura de café, entre outros) orientaram o surgimento da atividade industrial nessa região. Mas um outro fator também explica essa concentração espacial – é a interdependência que se estabelece entre as várias empresas industriais. Por exemplo, a indústria automobilística está ligada às metalúrgicas, às indústrias de autopeças, de tintas, de vidros etc.

Além disso, a concentração industrial é acompa- nhada pela concentração das demais atividades econômicas e extra-econômicas. Assim, a indústria, o comércio e o sistema bancário e financeiro dependem uns dos outros.
Por outro lado, a concentração das atividades econômicas gera um grande número de empregos, atraindo população de outras regiões e criando grandes centros populacionais, que necessitam de serviços, incluindo-se escolas, centros culturais e profissionais. Por isso, as grandes metrópoles são também os núcleos culturais mais desenvolvidos do país.


A desconcentração industrial ocorreu a partir da década de 1970, motivada pelos desequilíbrios regionais que levaram o governo a adotar medidas como incentivos fiscais e programas para as áreas periféricas, surgindo, por exemplo, os pólos petroquí- micos de Camaçari (BA) e de Canoas (RS).
Na década de 1980, a crise econômica gerada pelo alto preço do petróleo atingiu a área mais industrializada do país, a região metropolitana de São Paulo, inibindo a instalação de novas unidades industriais, com desvantagens como a organização sindical forte, assustando os empresários, e a saturação da infra-estrutura viária.

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Fonte: Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de S. Paulo

Observando o mapa, a concentração ocorre na Grande São Paulo, com diversidade industrial, e a desconcentração ocorre acompanhando as grandes rodovias. Na via Dutra (1), destaca-se São José dos Campos, entre outras, com indústrias aeroespacial e bélica. No Eixo Castelo Branco (2), destaca-se Sorocaba; no Eixo Anchieta – Imigrantes, sobretudo em Cubatão desenvolvem-se os ramos químico, petroquímico e siderúrgico; e no Eixo Bandeirantes, até as vias Anhangüera e Washington Luís, a agroindústria é a de destaque.
Quanto ao Espírito Santo, este estado é o menos industrializado do Sudeste, mas ali se desenvolvem os ramos metalúrgico, alimentício e o madeireiro. No Rio de Janeiro, a industrialização acompanhou a função portuária, beneficiando-se da condição histórica de conter a capital do país até a construção de Brasília. Atualmente, o forte é o setor petrolífero no norte Fluminense, na região de Macaé.

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Fonte: MEC/FAE, Atlas Geográfico, p. 39.










Quanto ao Estado de Minas Gerais, o ramo alimentício marca o Triângulo Mineiro (Araguari, Uberaba e Uberlândia) e o sul, com Poços de Caldas e Alfenas. O principal ramo é o metalúrgico, transformando o rio Doce no “Vale do Aço”, devido ao complexo siderúrgico e às reservas de minerais metálicos. Mas, a cidade mineira mais famosa é Itajubá, com o segundo maior crescimento em PIB do país entre 1970 e 1996. O segredo está na associação educação-tecnologia, com universidades, mão-de-obra qualificada e indústrias com alta tecnologia, que produzem fibras ópticas, reatores, componentes eletrônicos e até helicópteros (Helibrás). Portanto, é o mais novo exemplo de tecnopolo.
Os “tecnopolos” são parques empresariais e científicos especializados no desenvolvimento da alta tecnologia e da chamada tecnologia de ponta (química fina, robótica, informática, eletrônica, raio laser etc.).
As regiões de Campinas (favorecida pela presença da Unicamp), de São José dos Campos (onde está localizado o Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA) e São Carlos (que abriga a UFSCar e um campus da USP) são alguns dos centros industriais que ostentam a tecnologia mais avançada do país.
9. Nova Desconcentração
A partir da década de 1990, a nova desconcen- tração ganhou o apelido de “Guerra Fiscal” entre os Estados, pois as indústrias são disputadas entre os Estados, que oferecem terrenos e isenções. As indústrias que, por exemplo, deixam o Estado de São Paulo alegam que o processo de globalização exige custos finais mais baixos para ganhar competitividade, aproveitando as vantagens citadas, além da mão-de-obra mais barata e menos politizada. Confira a desconcentração, pela tabela:


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Veja, 7 de março, 2001
A região Sul, segunda em industrialização, estruturou-se nos ramos alimentício e têxtil, respectivamente, na Grande Porto Alegre (RS) e no eixo Joinville-Blumenau – Brusque (SC). Mas, crescem os ramos químico, metalúrgico e siderúrgico, sendo Florianópolis a vedete nacional com o maior crescimento do PIB, nos últimos anos.
A Região Norte, como vimos, está relacionada à Zona Franca de Manaus, enquanto no Centro-Oeste, a região menos industrializada cresce no ramo alimentício, sobretudo os frigoríficos e, atualmente, nos ramos mineral e de material elétrico. Essas regiões são prejudicadas pela deficiente rede de transporte e pelo mercado consumidor restrito.
Quanto ao Nordeste, a terceira região industrializada, a concentração ocorre na Zona da Mata ou Litoral Oriental, sobretudo na região Metropolitana de Salvador, com o pólo petroquímico de Camaçari, “alimentado” pela Refinaria Landulfo Alves, além do Distrito de Aratu, com siderurgia (Usiba); e a região Metropolitana de Recife, em Cabo e Paulista, com indústrias química, metalúrgica e de material elétrico.

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Fonte: MEC/FAE, Atlas geográfico, p. 42.



Exercícios Resolvidos

01. (Fuvest-SP)
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Fonte: BIM, CD-ROM, IBGE, 2000.
a) Que Estados apresentam menor concentração de pessoas ocupadas na indústria de transformação? Justifique sua resposta.
b) Apresente duas justificativas que expliquem a maior concentração de pessoas ocupadas na indústria de transformação em quase todos os Estados das regiões Sudeste e Sul do país.

Resposta
a) Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Sergipe; devido ao pequeno desenvolvimento da infra-estrutura e à orientação da economia para as atividades agropecuárias e extrativas.
b) Maior desenvolvimento do setor industrial, decorrente do maior mercado consumidor, do maior acúmulo de capitais e da maior sofisticação da infra-estrutura.


02. (Mackenzie-SP) Destacam-se na expansão industrial de São Paulo quatro grandes eixos viários, exceto o:
a) eixo Dutra, ao longo do Vale do Paraíba;
b) eixo Anhangüera–Bandeirantes, onde se desta- cam Campinas e Ribeirão Preto;
c) eixo Castelo Branco, que tem como destaque Sorocaba;
d) eixo Régis Bittencourt, que abrange o Vale do Ribeira;
e) eixo Imigrantes–Anchieta, que inclui o ABCD e a Baixada Santista.
Resposta: D
O eixo Régis Bittencourt é uma área agrícola.

COC - VESTIBULARES
Postado por professora de geografia às 10:12
Marcadores: A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA
domingo, 2 de maio de 2010
RODADA DOHA - QATAR ou CATAR
2ªs SÉRIES - 2º BIMESTRE






RODADA DOHA

Imperialismo e agricultura - A conspiração de Doha

Enquanto não me chega a inspiração para passar ao papel as minhas reflexões e experiência sobre as alterações que atingem a agricultura neste tempo de mundialização capitalista, olho para a mão que segura a caneta, a mesma que ontem segurava o arado ainda de modelo romano, que virava o chão que nos dá o alimento para a vida e vida para transformar o mundo. Tudo isto para dizer da minha profunda ligação à terra nas suas vertentes ecológica, económica e social. Afinal eu sou um romântico e não sabia, até ao dia em que o Comissário da Agricultura, Franz Fischler, me lançou isso à cara num comité consultivo da PAC (Política Agrícola Comum), numa daquelas reuniões em que o comissário expõe em escassos minutos os objectivos da Comissão e em que raramente é questionado pela simples razão de que os que lá estão estão de acordo com os objectivos. Mas como há sempre uma voz para dizer não, estava lá eu nesse dia e atrevi-me a dizer-lhe que a sua reforma ia trazer a destruição do mundo rural, que o que precisávamos era de outras políticas com preços justos à produção para preservar os numerosos agricultores das diversas regiões. Surpreendido e incomodado porque não gosta que ninguém lhe estrague a encenação, despachou o assunto limitando-se a dizer que eu era um omântico.Franz Fischler foi de resto o Comissário que mais sacrificou a agricultura aos objectivos da mundialização do capital, objectivos esses que neste mês de Novembro conhecem novo episódio com mais uma cimeira da OMC. Para tentar fechar o ciclo de negociações de Doha (*) para a liberalização total das trocas agrícolas e abrir, enfim, as auto-estradas ao «livre comércio» da «economia de mercado», como dizem pudicamente os lacaios deste sistema que não ousam chamar-lhe capitalismo de tal forma ele está mal visto.

Porquê Doha?


As primeiras reuniões dos mandatários do sistema para organizar a globalização tiveram fortes movimentos de protesto. Foi assim que em Seattle (EUA) e em Cancun (México) não puderam chegar a um acordo e no último caso tiveram mesmo de acabar a reunião precipitadamente devido à imolação do companheiro Lee, camponês sul-coreano, que espetou uma faca no ventre num gesto de sacrifício extremo contra a globalização da OMC. Desde então, para evitar grandes manifestações, escolheram Doha, capital do Qatar, onde não pode haver protesto por falta de condições logísticas locais e aí puderem decidir as regras para saquear o sector agrícola.

O contexto geopolítico atual

Com a passagem da agricultura a uma lógica de lucro e a sua subordinação ao capital financeiro e influência crescente das multinacionais, após a ratoeira da dívida externa e as intervenções militares que durante muito tempo amordaçaram os países, o capitalismo quer agora o controlo da agricultura, onde a alimentação tem cada vez mais um papel central como arma para controlar as populações e os países – a dependência cada vez mais forte da importação de alimentos aumenta a dependência política dos países. Estão claros os objectivos da ronda de Doha: alcançar um acordo que permita o domínio da arma alimentar, eliminar milhares de explorações agrícolas familiares. É uma prioridade para o sistema dar corpo ao seu projecto e desimpedir o caminho.

A dinâmica política no plano mundial

Todo este processo de mundialização da agricultura é comandado a partir dos centros de decisão do capitalismo europeu e americano e embora haja os tais países emergentes que despontam na cena política internacional não é ainda o fim da hegemonia ocidental que abriga 90% das empresas multinacionais tem um peso preponderante nas instituições financeiras mundiais, são o centro da decisão em matéria de preços, controlam a dívida externa do Terceiro Mundo e dispõem do braço armado do sistema com 700 bases militares espalhadas pelo mundo. A PAC foi sempre uma política de classe virada contra os pequenos e médios agricultores que se tem acentuado mais em cada reforma e foi sempre um meio de canalizar dinheiro público para os privilegiados das indústrias agro-alimentares, grandes proprietários latifundiários. A partir de 1992, as reformas da PAC tiveram sempre por base a baixa do preço à produção para nivelar os preços internos pelo preço mundial. Isto faz com que a produção nacional entre em colapso porque os preços não reflectem os custos de produção. Segundo a teoria de Ricardo um preço de referência só pode ser aquele que cobre os custos de produção mais altos. Com a mundialização o capitalismo faz o inverso. Mas tudo isto está relacionado com o que ficou conhecido pelo «Consenso de Washington», que determinou o início de uma era neoliberal da economia mundial centrada na sobre-exploração da mão-de-obra e dos recursos da natureza. A Europa mais forte, segundo Sócrates no seu Tratado de Lisboa, é isso mesmo. A passagem à prática do «Consenso de Washington» é mais uma machadada no mundo do trabalho, sejam camponeses ou não. Por isso Sócrates passou a ser o «Senhor Contente» pela aprovação do Tratado.

A agricultura no contexto político internacional

A agricultura tornou-se numa das novas fronteiras de acumulação do capital. Tudo aquilo a que assistimos são as grandes manobras do capitalismo para preparar a sua estratégia para a primeira metade do século XXI, com base num modelo agro-exportador, cujos estudos de rentabilidade económica feitos pelo Banco Mundial dão a seguinte conclusão: para alimentar dentro de um quarto de século a população mundial é preciso duplicar a produção agrícola. Diz o Banco Mundial que só o capital está em condições de realizar essa tarefa. Conclusão perigosa a do Banco Mundial, nem de propósito é uma conclusão para entregar ao capital o imenso jazigo de matéria-prima que é a actividade agrícola. A imposição de um modelo produtivista e agro-exportador tem de ser combatida pois só a agricultura familiar pode assegurar a soberania alimentar. Não podemos ficar reféns de um modelo baseado na especulação e nos jogos da Bolsa, modelo que traz de volta a escravatura e a monocultura como no tempo do colonialismo e que é uma ameaça à biodiversidade e terá consequências directas no fenómeno das migrações internas e externas de camponeses e camponesas empobrecidos, que terão de exilar-se para as regiões ou países mais ricos e isto diz respeito a 50 milhões de camponeses por ano mundialmente falando. A velha questão da posse e uso da terra vai conhecer novos contornos. A teoria de alguns agrónomos da nossa praça de que a terra já não é precisa para produzir mas para consumir não passa no exame. O capital está a comprar ou a alugar as melhores terras em todo o mundo,como acontece com os espanhóis no Alentejo!
Em Portugal vamos nós ficar dependentes do arroz asiático que já tem tantas bocas à sua espera?! A par das desigualdades crescentes em todos os países, é previsível o aparecimento de uma nova classe de ricos no hemisfério Sul, resultado do modelo agro-exportador e da escravatura. Mas o projecto do capitalismo e os estudos do Banco Mundial podem não dar certos, o saque da natureza tem limites, a terra não se adapta às políticas, as políticas é que se adaptam à terra. A terra para produzir precisa de ser acarinhada e ambientalmente preservada, mas isso não se encaixa na lógica do lucro. Para um marxista-leninista é fundamental observar estas alterações para poder interpretar os fenómenos societais que entretanto se vão produzindo. Tanto mais que o capitalismo declarou uma guerra atípica e assimétrica cujo campo de batalha é na cabeça das pessoas.

Eu só tenho pena é das minhas vacas...

Todos os sectores da agricultura estão em crise mas é sem dúvida o sector do leite que mais tem dado nas vistas pelas acções espectaculares dos seus produtores e porque a crise atinge produtores de um patamar elevado que, pela sua dimensão, julgavam não serem atingidos. Primeiro foram os pequenos e eles não se importaram, diziam mesmo que numa agricultura competitiva não havia lugar para todos. Eles que foram sempre cúmplices da PAC, chegou agora a sua vez. Os ingredientes perfeitos para uma crise aí estão. Importações a baixo preço e subida dos custos de produção, reestruturação forçada das explorações, normas ambientais, dimensão adequada (concentração) adaptação ao mercado, aumento do volume de produção (subida das quotas) e retracção do consumo. Para o capitalismo nada chega das quatro tetas que tem a vaca. Para o produtor, que ainda por cima tem de sustentá-la, só fica uma teta, as outras três são para o capitalismo mamar e isto sem ter que se ocupar da vaca.
Com a reforma da PAC de 2013, que eu chamo a mãe de todas as reformas, está previsto o fim das quotas leiteiras, o que irá fazer explodir o sector. Sem instrumento de gestão da produção o sector não resiste à adaptação à mundialização, está assim entre as vítimas da conspiração de Doha. Outros sectores vão também ser atingidos com o fim dos instrumentos de gestão da produção e o abate das barreiras de protecção. Recentemente, numa reunião em Bruxelas, ao discutir-se o futuro do sector leiteiro, uma produtora de leite das Astúrias, que tanto poderia ser da Galiza como do Minho, depois de ouvir que a sua actividade está posta em causa, que o mundo rural desaba à sua volta, disse visivelmente emocionada: «eu só tenho pena é das minhas vacas que a elas estou habituada». A esta agricultora com rosto humano e com sentimentos, os tecnocratas, os comissários do capital não só não a entendem com a desprezam. A isto, o Comissário Franz Fischler chamaria de romantismo.

Sem agricultores não há agricultura, não há país

A função dos agricultores vai muito para além da produção de alimentos, contribuem também para a identidade e a soberania nacional. Mas como o capital financeiro quer uma liberdade total de movimento, a soberania nacional é um estorvo. Assim sendo, a ordem é para arrasar e nisso colaboram os governos do PS/PSD/CDS desde há 30 anos, que destruíram um património com dois séculos legado por várias gerações de agricultores. Participando activamente neste projecto do capital, deixaram os agricultores portugueses sem preços e sem mercado e o país exposto a uma crise alimentar grave e com um custo de 3000 milhões de euros/ano de défice agro-alimentar. Num país que tem pouca terra de aptidão agrícola, fomentaram a eucaliptização em detrimento da produção de alimentos e taparam as melhores terras com alcatrão e plataformas logísticas. E aqui recordamos a era cavaquista em que era mais barato importar do que produzir. Depois, num país dependente de importação de alimentos, completaram este programa com florestação de terras agrícolas que tinham boa aptidão para produzir e, por fim, o desligamento das ajudas, que é um convite ao abandono da produção, e mais uns rios de dinheiro público para os grandes proprietários sem obrigação de produzir o que quer que seja. Para a opinião pública é difícil entender os problemas da agricultura dado que governos e ministros andam há vários anos a anunciar uma chuvada de milhões de euros para a agricultura, só que estes não chegam aos verdadeiros agricultores. Entregaram o dinheiro em venda do país e do direito a produzir aos grandes proprietários, latifundiários e outros oportunistas e indirectamente à agro-indústria e à grande distribuição alimentar. São esses os beneficiários da chuva de milhões de euros, em aliança com os objectivos das multinacionais. Apesar deste quadro difícil e complexo, a solução existe. É preciso reconquistar direitos. Soberania alimentar, direito a produzir, direito a proteger-se, remunerar o trabalho não o capital. Como a história não se escreve de avanço, temos de ajudar a escrevê-la, enfrentando o sistema e globalizando a esperança e a luta.

(*) Doha, capital do Qatar, onde se iniciou um novo ciclo de negociações sobre a liberalização do comércio mundial no âmbito da OMC.

extraido do site

http://www.omilitante.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=379&Itemid=32

(algumas palavras aparecem a partir do contexto do português de Portugal)

terça-feira, 7 de junho de 2011

1ªS SÉRIES - VIDEO ESPECIAL SOBRE MIGRAÇÕES

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1ªS SÉRIES - MIGRAÇÕES E PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

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1ªS SÉRIES - COMÉRCIO MUNDIAL


1ª SÉRIES
O comércio é por definição uma forma de relação humana que implica colocar em contato grupos sociais diferentes. Na origem da história humana para um grupo A interessava obter de outros grupos aquilo que não se con-seguia produzir, aquilo que somente outros grupos possuíam. Esse gênero de relação exigia estender relações sobre espaços mais amplos, obrigava a abrir caminhos, rotas e construir portos, estimulava a criação de novos meios de transporte e impunha a criação de estruturas para os comerciantes. Como se vê, o comércio é uma atividade humana produtora de novos espaços humanos e uma atividade que ensinou o ser humano a lidar com a distância geográfica.

No mundo contemporâneo tudo isso intensificou extraordinariamente. Com os novos meios disponíveis, as atividades comerciais aumentaram o poder de uma das forças propulsoras da "fabricação" de novos espaços e do aperfeiçoamento dos meios de superação da distância entre as realidades geográficas. Vamos pensar nas marcas de produtos comerciais que frequentam nosso dia-a-dia. Qual a origem nacional da marca? Numa série de produtos (roupas, calçados e eletrônicos, por exemplo) onde é a localidade da fabricação? São duas coisas diferentes: um produto pode ter uma marca de origem americana e ser produzido na China. Uma marca pode ser francesa e seu produto pode ser, ao menos em parte, produzido no Brasil.
Isso revela a complexidade das relações atuais, num mundo globalizado, embora uma relação comercial, ao pé da letra, resuma-se à saída do local de produção (ou ponto de venda) até o ponto do consumo.
Os fluxos de produtos que chegam até nós vêm do mundo, de um sistema produtivo e comercial que se organiza na escala mundial, não somente dos nossos vizinhos, do mundo ocidental ou do extremo oriente.
O comércio como acelerador dos fluxos; aceleração dos fluxos intensificando o comércio.
O mundo contemporâneo é complexo. Isso não quer dizer complicado, como é comum se pensar. Complexo significa que cada realidade isolada é sempre produto do conjunto da realidade total, ou das diversas realidades em relação. Durante os últimos 50 anos as exportações mundiais aumentaram em volume, nove vezes mais rápido que a produção mundial. Produz-se mais, mas se comercializa entre países muito mais ainda. Quer dizer que boa parte da produção antigamente circulava mais no interior dos pró¬prios países onde eram produzidas; hoje a produção circula muito mais numa escala geográfica mais ampla: circula o mundo.
O comércio não cresceu por si só, porque tem mais gente com¬prando bens. O comércio cresceu porque uma série de eventos e transformações cruzadas nes¬se nosso mundo propiciaram essa condição (e que já estudamos): a aceleração dos fluxos, as redes técnicas, a força das transnacionais e suas redes geográficas, a geopolítica, a ordem mundial e a ação das potências, que permitiram nesses últimos 50 anos que os mercados nacionais nada mais fossem que "seções" de um único e imenso mercado mundial. Outros exemplos de eventos que propiciaram o crescimento do comércio: desenvolvimentos tecnológicos, a multiplicação dos meios de compra e informação sobre os produtos, o afrouxamento das fronteiras dos Estados nacionais territoriais etc. A imagem dos fluxos comerciais no mundo contemporâneo é forte. Nunca o planeta pareceu tão pequeno, tal a dimensão dos fluxos e as distâncias que eles percorrem. Longos trajetos, outrora feitos apenas por aventureiros, atualmente são as principais rotas comerciais do mundo. Rotas oceânicas percorridas por navios que ancoram em portos, abarrotados e congestionados de mercadorias, e rotas aéreas que chegam em pontos antes inalcançáveis resultam da busca desenfreada por novos mercados, por novos consumidores.
O comércio, obviamente, não ocorre somente na escala mundial, isto é, na relação entre continentes e países diferentes. Os fluxos ocorrem internamente dentro de uma região, numa escala inferior: produção no país/continente e consumo no país/continente.O grande desafio da cartografia contemporânea não é localizar com precisão fenômenos geográficos, pois isso já está pronto e atualizado pelas imagens de satélite; o grande desafio está em conseguir expressar visualmente as relações espaciais que se desenvolvem num mundo cada vez mais complexo, ou seja, a utilização da linguagem. Para se produzir um mapa, antes de tudo, é preciso ter acesso às informações, à base de dados que será objeto da representação. Na cartografia temática contemporânea, há uma tendência em se preferir as projeções do tipo da de Buckminster Fuller ou a de Bertin para a representação de fluxos comerciais (lembre-se do mapa do tema 5, dos fluxos migratórios). Elas aproximam os blocos continentais, eliminam as imensas distâncias oceânicas e dão uma idéia mais expressiva e real do que são os fluxos no mundo contemporâneo. Projeções como a de Peters ou a de Mercator têm uma proeminência muito grande dos oceanos e expressam visualmente distâncias longuíssimas entre o extremo da Ásia e as Américas, por exemplo. A seta é compreendida, universalmente, como símbolo gráfico adequado para representara direção dos fluxos, pois permite expressar quantidade com a manipulação de seu tamanho (largura). Setas largas estarão representando fluxos de maior quantidade; mais estreitas, o contrário. Definir símbolos de comunicação não dá margem a diferentes interpretações. O que se vê tem sempre que ter sempre um único significado. Os blocos continentais no fundo do mapa devem ter uma única cor para todos. Uma cor leve e neutra para não ofuscar as setas. Define-se uma única cor para as setas e elas não podem se sobrepor umas às outras. Se fossemos montar um mapa com o tema “Comércio mundial de mercadorias”, constariam dados do comércio que poderiam ser representados cartograficamente em quadrados ou círculos (quanto maior, significa maior o volume negociado) ou por setas, e os números poderiamos colocar em uma legenda (resultando em uma representação quantitativa, pois apresenta números).
Hoje, os fluxos mais importantes no comércio mundial de mercadorias estão entre a Ásia e a América do Norte, entre a Ásia e a Europa Ocidental e entre a América do Norte e a Europa Ocidental. O fluxo da Ásia para a América do Norte é maior, mesmo com a imensa distância oceânica (que foi superada por conta da globalização, que encurtou as distâncias, realidade no mundo contemporâneo). O fluxo gira em torno da América do Norte, Europa e Ásia, mas os maiores fluxos ocorrem entre os países desenvolvidos para os subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias). Já os menores fluxos estão entre os próprios países subdesenvolvidos (tanto saída como entrada de mercadorias). A Ásia aumentou significamente suas exportações, principalmente para os EUA e Europa e se consolidou como um grande pólo exportador. Muitas transnacionais, que normalmente tem sede nos EUA e Europa, começaram a produzir nos países deste continente (China, por exemplo), para baratear a produção. E a mão-de-obra é farta e barata, aumentando a produção em grande escala e negociação de seus produtos por preços mais baixos. Os EUA são o maior comprador nesse tipo de relação e isso é uma participação fundamental, pois esse país é um grande mercado. Seu papel, como exportador, é um pouco menor, o que contraria uma visão de país forte (aquele que mais vende e que menos compra). Mas essa visão não corresponde ao modo como a economia global se organiza atualmente. Nesse modelo, importação e exportação não têm o mesmo peso de épocas anteriores. Por isso, os EUA não perderam sua importância no comércio internacional. O peso do comércio em escala regional (no mesmo continente, país ou região) ainda é grande, mas o comércio entre os continentes, ou seja, escala global (inter-região) está crescendo cada vez mais.

A intensificação do comércio internacional e a liberalização comercial ocorrida nos últimos anos têm aumentado a importância relativa dos procedimentos de fronteira como determinante dos custos de comercialização associados ao comércio internacional. Uma parcela desses custos está associada a atrasos portuários, a ausência de transparência na aplicação de regras, a burocracia e a procedimentos aduaneiros desatualizados. Nesse contexto, a facilitação de comércio começou a receber destaque no cenário político internacional. Entendida como medidas que reduzem os custos de comercialização internacional, a facilitação de comércio tornou-se tópico de discussão na OMC a partir da conferência Ministerial de Cingapura de 1996. Estudos relacionados à facilitação de comércio, principalmente estudos que abrangem o Brasil e seus parceiros comerciais ainda são raros. O presente estudo tencionou contribuir nessa direção avaliando os efeitos da facilitação de comércio, definida em termos da transparência da política comercial, sobre o padrão de comércio bilateral de um conjunto de 43 países que inclui o Brasil e alguns de seus principais parceiros comerciais. Para isso, são descritas primeiramente as relações entre a facilitação de comércio, transparência da política comercial e os fluxos comerciais. A idéia central é que a reforma da política comercial que promova a transparência, através de maior previsibilidade e simplificação, pode contribuir para a redução dos custos de comercialização associados ao comércio internacional e ampliar os fluxos de comércio entre os países. A partir de indicadores de facilitação de comércio relacionados à transparência da política comercial são construídos, para cada país da amostra, três índices de transparência utilizando a técnica estatística multivariada da análise fatorial: dois índices de transparência nas importações e um índice de transparência nas exportações. A relação desses índices com o padrão de comércio bilateral entre os países é estimada utilizando um modelo gravitacional construído com dados de comércio bilateral dos 43 países desagregados em Capítulos do Sistema Harmonizado. O modelo gravitacional é estimado através do modelo de efeitos fixos e os resultados indicam que os índices de transparência nas importações e o índice de transparência nas exportações estão positivamente associados com o comércio bilateral e são estatisticamente significativos. Dessa maneira, a introdução de reformas nas áreas de facilitação de comércio, que levariam a um incremento relativo dos índices de transparência, pode resultar na ampliação do comércio entre os países.

A reunião de Postdam, na Alemanha, começou dia 21 e devia prolongar-se até dia 24, com o objectivo de criar condições para uma possível base negocial entre o Brasil, Índia, União Europeia (UE) e Estados Unidos, denominado por G4, com vista a dar um impulso à Ronda de Doha para a liberalização do comércio mundial, que se encontra suspensa desde 24 de Julho de 2006.
As diferenças insanáveis continuam a ser as subvenções agropecuárias que os Estados Unidos e a UE querem continuar a manter para os seus produtos, enquanto os países de economias emergentes, como o Brasil e a Índia, e os países em desenvolvimento, exigem o cumprimento das promessas dos países industrializados de permitir uma abertura dos mercados a estes produtos Os países industrializados pedem, em contrapartida uma liberalização dos mercados para os seus produtos industriais e serviços.
O crescimento do comércio mundial pode cair para 4,5% em 2008 - contra os 5,5% verificados em 2007 - porque a desaceleração econômica nos países desenvolvidos só será compensada em parte pelo forte crescimento nas economias emergentes.
O comércio mundial cresceu 8,5% em 2006, mas caiu a 5,5% em 2007.
Segundo o relatório, a turbulência no mercado financeiro, que reduziu consideravelmente as perspectivas de crescimento para muitos dos países desenvolvidos, prejudicou as perspectivas para o comércio mundial neste ano. Para esse grupo de países, a expectativa é de um crescimento de 1,1%.
Já para os países em desenvolvimento, a OMC projeta um crescimento superior a 5%. "Isso pode resultar em um crescimento mundial de 2,6% e em uma expansão do comércio mundial em cerca de 4,5% em termos reais, descontada a inflação", afirma o órgão no documento.
Cresce a incerteza sobre durante quanto tempo os países em desenvolvimento poderão manter um ritmo forte de crescimento econômico frente a uma demanda em queda nos maiores mercados desenvolvidos e às crescentes pressões inflacionárias", aponta o relatório.
Se, por outro lado, os países desenvolvidos sofrerem uma desaceleração econômica mais acentuada, o crescimento do comércio cairia muito mais.