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sábado, 14 de agosto de 2010

2ªS SÉRIES - POPULAÇÃO BRASILEIRA

POPULAÇÃO BRASILEIRA

As Imigrações

1. Histórico

A palavra migração é usada quando ocorre deslocamento populacional, sendo exemplificada pelos tipos: transumância, nomadismo, pendular, êxodo rural, inter-regional e as internacionais. Neste último, aparece a imigração, isto é, a entrada de pessoas em um país. As causas destes deslocamentos são econômicas (emprego), religiosas, políticas e até naturais (terremoto).
O século XIX foi o mais importante para a imigração, graças às grandes transformações econômicas, sociais e políticas. Portugal organizou a própria desco-lonização brasileira, ou seja, para passar de colônia para república, ocorreu o império.

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Paul Hugon, Demografia Brasileira: ensaio de demoeconomia brasileira, p. 56; IBGE,
Anuário Estatístico do Brasil, 1970.

Pelo gráfico, a imigração começa oficialmente em 1808, com a abertura dos portos, e a transferência da sede do Império Português para o Rio de Janeiro, sendo fraca até 1830. Mas, de 1850, com a extinção do tráfico de escravos, até o governo Vargas (década de 1930) ocorreu o auge. Depois veio a decadência, em virtude das crises, ditaduras, restrições federais e da própria reconstrução européia pós-guerra, melhorando as condições de vida.
No auge, vários fatores explicaram o êxito da imigração, sobretudo a associação entre as péssimas condições de vida na Europa (guerras, pestes) com a cafeicultura do sudeste brasileiro, oferecendo empregos; e a própria abolição da escravidão em 1888.

2. Os Imigrantes

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IBGE

Observa-se, pelo gráfico, a política racista do governo federal, isto é, na substituição do trabalho escravo pelo assalariado, o governo não ofereceu o trabalho da cafeicultura para os africanos e sim para os euro-asiáticos, supondo que o "branqueamento" da nossa população deixaria o país "civilizado" e desenvolvido.
As principais regiões que receberam esses imigrantes foram o Sudeste e o Sul. A primeira em virtude, principalmente, da cafeicultura; e a segunda em virtude das fronteiras instáveis, uma vez que Paraguai, Uruguai e Argentina demonstravam interesses territoriais, o que obrigou nosso governo a adotar a política de ocupar para não perder.
Com isso, ocorreu o antagonismo regional, pelo qual o Sudeste desenvolveu-se em grandes propriedades monocultoras e o Sul desenvolveu-se em pequenas propriedades policultoras, graças à venda de terras aos imigrantes. Ao todo, chegaram mais de 5 milhões de pessoas no país, mas muitos não ficaram, por vários fatores, como a falta de uma política ou lei que respeitasse o imigrante. Muitos foram mal tratados e até escravizados como aconteceu com alemães e japoneses.
Confira, pela tabela, os principais imigrantes e suas respectivas áreas de fixação:

J.W. Vesentini, Brasil: Sociedade e Espaço
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3. Portugueses e Italianos

Grupo de imigrantes mais numerosos, os portugueses entraram no país em vários períodos, sobretudo de 1500 a 1808, 1891 a 1930 e após 1950, somando quase 1,8 milhão de imigrantes. Geograficamente, optaram por São Paulo e Rio de Janeiro, e uma minoria, por outros lugares. Contribuíram culturalmente com o idioma e a religião predominante no país (católica).
Após os portugueses, os italianos constituem o grupo mais abundante de imigrantes. O estado de São Paulo foi a principal área de destino desses imigrantes que, juntamente com outros grupos, substituíram o trabalho escravo nas lavouras de café.
Outros italianos tentaram a vida na região Sul, sobretudo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, principalmente, como pequenos agricultores, marcando a agricultura sulista com a mão-de-obra familiar e vitivinicultura.

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Leitura Complementar:

O Início da grande imigração


A dependência regional maior ou menor da mão-de-obra escrava teve reflexos políticos importantes no encaminhamento da extinção da escravatura. Mas a possibilidade e a habilidade de lograr uma solução alternativa – caso típico de São Paulo – desempenha-ram, ao mesmo tempo, um papel relevante.
A solução alternativa consistiu na atração de mão-de-obra européia para vir trabalhar nas fazendas de café. Por que não se tentou transformar escravos em trabalhadores livres, ou ainda, por que não se incentivou a vinda de gente das áreas pobres do Nordeste?
A primeira pergunta tem uma resposta mista. De um lado, o preconceito dos grandes fazendeiros dificul-tava ou mesmo impedia que eles imaginassem a hipótese de mudança de regime de trabalho da massa escrava; de outro, é duvidoso que, após anos de servidão, os escravos estivessem dispostos a ficar em uma situação não muito diversa da que tinham. Lembremos, nesse sentido, o fato de que os imigrantes se viram forçados a pressionar os fazendeiros, sobretudo quando ainda existia o regime servil, para alcançar uma condição melhor relativamente aos escravos.
A respostas à segunda pergunta tem um ponto de contato com a primeira. A argumentação racista que ganhou a mentalidade dos círculos dirigentes do Império, a partir de autores como Buckle e Gobineau, não desvalorizava apenas escravos ou ex-escravos. Os mestiços, nascidos ao longo da colonização portuguesa, eram também considerados seres inferiores e a única salvação para o Brasil consistiria em europeizá-lo o mais depressa possível. Ao lado desse fator cultural, outros devem ser considerados. Os senhores de engenho e plantadores de algodão do Nordeste haviam-se desfalcado recentemente de mão-de-obra escrava e não veriam com bons olhos a transferência de uma força de trabalho sob seu controle para o Centro-Sul...
O número de pessoas que entraram em São Paulo como imigrantes foi pequeno até os primeiros anos da década de 1880. Entre 1875 e 1879 registrou-se o ingresso de apenas 10.455 pessoas, cifra muito abaixo das necessidades da produção cafeeira. Os italianos, que haviam começado a chegar, pouco a pouco, a partir de 1874, não se conformavam com as condições de vida existentes no Brasil e muitos retornaram a sua terra. Em 1885 o governo italiano divulgou uma circular, descrevendo São Paulo como uma região inóspita e insalubre e desaconselhou a emigração para o Brasil.
As figuras mais proeminentes da elite paulista reagiram a esse estado de coisas, em um momento sensível, quando a desorganização do sistema escravista se tornava evidente. A Sociedade Promotora de Imigração, fundada em 1886 por iniciativa, entre outros, dos irmãos Martinho Prado Jr. e Antônio da Silva Prado, tomou uma série de providências a fim de atrair imigrantes para as fazendas de café...
Fonte: Boris Fausto, História concisa do Brasil


Exercícios Resolvidos

01. (PUC - SP) Por que diminuiu a imigração da Europa Ocidental para o Brasil após 1950?

Resposta
Os governos de países emigratórios europeus restringiram a saída de trabalhadores, aproveitando a mão-de-obra na reconstrução nacional, após a Segunda Grande Guerra. Soma-se a isso a melhoria das condições econômicas de alguns países da Europa Ocidental, que passaram a atrair a mão-de-obra proveniente dos países emigratórios.

02. (FUVEST-SP) Após a extinção do tráfico de escravos em 1850, o Brasil começou a atrair a mão-de-obra imigrante para a lavoura do café. O sucesso, nesta empresa, foi facilitado:

a) pela captação da corrente imigratória italiana e alemã para os Estados Unidos, em virtude da Guerra de Secessão.
b) pelas condições precárias de vida e intranqüilidade política na Europa, principalmente na Itália e Alemanha.
c) pela extinção da escravatura nos Estados Unidos, que praticamente eliminou a necessidade da mão-de-obra imigrante.
d) pelo desvio da corrente emigratória italiana e alemã para a Argentina, em virtude dos conflitos no Prata.
e) pela utilização de máquinas a vapor na indústria têxtil européia, que liberou grande quantidade de operários, sobretudo na Europa Central e Meridional.
Resposta: B

O governo Brasileiro realizou uma campanha com os fazendeiros, objetivando atrair imigrantes na Europa, no século XIX.

4. Espanhóis

Em relação ao número, representaram o terceiro maior grupo imigratório, e sua imigração é considerada antiga, graças à União Ibérica (1580/1640). O período mais importante ocorreu entre 1904 e 1914. Eles fixaram principalmente em São Paulo e, em menor número, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em razão do idioma e religião semelhantes, não tiveram dificuldades culturais de adaptação ao País.

5. Alemães

A partir de 1824, os alemães começaram a chegar, principalmente no Rio Grande do Sul (vale do rio dos Sinos), em colônias como São Leopoldo, Novo Hamburgo e Taquara. Em Santa Catarina, marcaram o vale do Itajaí, e áreas vizinhas, com colônias que deram origem a Blumenau e Joinville, entre outros. Atualmente, essa região é caracterizada pela indústria têxtil.


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Ao contrário dos italianos e espanhóis, os alemães tiveram uma integração cultural bastante difícil, em virtude da grande diferença entre as culturas. O principal período da entrada ocorreu de 1850 a 1871.

6. Japoneses

Começaram a chegar em 1908, sendo o maior período entre 1924 e 1934, e eram provenientes de áreas rurais do Japão. Dedicaram-se a atividades agrícolas e atividades urbanas relacionadas ao comércio.
Assim como aconteceu com os alemães, os japoneses também tiveram sérias dificuldades culturas de adaptação, notadamente pelo idioma, muito diferente do nosso. O estado de São Paulo foi o que mais recebeu esses imigrantes. Confira, pelo mapa, as áreas mais importantes.

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1 – Grande São Paulo: colaboraram na formação do cinturão hortifrutigranjeiro.

2 – Oeste paulista: região de Marília, Bastos, Tupã, Lins – dedicaram-se à cafeicultura e à cultura do algodão.

3 – Vale do Ribeira do Iguape: cultivaram o chá da Índia e a banana.

4 – Vale do Paraíba do Sul: cultura irrigada do arroz.

Outras áreas receberam os japoneses: o norte do Paraná, na cafeicultura, a zona de Bragantina, no Pará, no cultivo de pimenta do reino (cidade de Tomé-Açu) e o vale do Amazonas, nas culturas de juta e arroz.

4. Outros Imigrantes

Os eslavos, representados pelos russos, ucranianos e poloneses, concentraram-se no Paraná, em atividades agrícolas e extrativas (araucária), e fundaram cidades, por exemplo, Ponta Grossa. Chegaram principalmente entre 1872 e 1886.
Os suíços-alemães foram dos primeiros imigrantes a chegar ao país, por volta de 1819. Fundaram Nova Friburgo no Rio de Janeiro. Foi uma tentativa fracassada do governo em colonizar essa região, em virtude da falta de meios de comunicação e transporte.

Leitura Complementar:
Alemães, Italianos, Eslavos...

A colonização definitiva das áreas florestais do Sul só foi concretizada a partir do momento em que o governo imperial incentivou a vinda de imigrantes europeus para a região. Chegou-se a acreditar por algum tempo que os imigrantes teriam optado pelo Sul em virtude das condições climáticas da região. Como os imigrantes eram originários de regiões temperadas, eles teriam “escolhido” o Sul, que apresentava essas características. Na verdade, ao incentivar a vinda dos imigrantes, o governo tinha em mente objetivos de caráter estratégico.
Se no início do século XIX o Sul brasileiro era praticamente despovoado, o mesmo não acontecia nas regiões limítrofes. A Argentina e o Paraguai, especialmente, apresentavam expressivos agrupamentos populacionais nas proximidades do Brasil meridional. Assim, era de fundamental importância estratégica fixar de forma definitiva populações nessa região, para evitar que o vazio demográfico despertasse a cobiça dos vizinhos.
Costuma-se considerar que os primeiros imigrantes a se estabelecerem no Sul foram os alemães, na região de São Leopoldo (1824), ao norte de Porto Alegre; esse evento é considerado o marco inicial do período de imigração para o Brasil. Depois novas colônias alemãs, como, por exemplo, Novo Hamburgo, foram instaladas próximas a São Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos. Os alemães ocuparam as regiões de relevo mais baixo. A encosta e o planalto seriam ocupados, mais tarde, por imigrantes italianos.

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Em 1851, era instalada a colônia alemã de Joinville; em 1854 a de Blumenau; e em 1860a de Brusque. Posteriormente, a colonização alemã expandiu-se pelo Vale do Itajaí catarinense. Mas esse fluxo diminuiu a partir de 1859, quando foi promulgado o Rescrito de Heydt, proibindo a saída de germânicos para o Brasil. Essa proibição decorreu da divulgação, na Alemanha, das más condições a que estavam submetidos muitos dos colonos que já se haviam fixado no Brasil.
Daí em diante, o maior fluxo passou a ser de italianos. Eles se fixaram nas enconstas e na área planáltica do norte de Porto Alegre, onde criaram várias colônias – entre as quais Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves. A proximidade das colônias italianas e alemãs com Porto Alegre foi fundamental para o seu crescimento. Parte considerável da produção colonial era destinada ao expressivo mercado consumidor que vinha se constituindo naquela que seria a futura metrópole gaúcha.
A colonização italiana também se verificou em Santa Catarina. Nesse Estado, os italianos se fixaram junto ao Vale do Itajaí, justapondo-se à colonização alemã preexistente. Houve também colonização italiana junto à encosta sul do planalto catarinense, na chamada “região carbonífera” (Criciúma, Urussanga, Lauro Müller). Todas essas áreas pioneiras de colonização européia passaram a ser conhecidas como “áreas coloniais velhas”, em oposição àquelas que foram ocupadas mais tarde, chamadas de “áreas coloniais novas”.
Ao final do século XIX, a imigração foi estimulada não só pelo governo federal, mas também por iniciativa dos governos provinciais e de empresas particulares. Nessa época, a imigração atingiu o seu auge com a continuação da entrada de italianos e a chegada, em menor quantidade, de pessoas de outras origens, especialmente eslavos (poloneses, russos, ucranianos), que se fixaram no centro-leste do Paraná.
José Arbex e Nelson Olic, A hora do Sul.

Exercícios Resolvidos

01. (Fuvest-SP) Iniciando sua imigração em 1908 e destacando-se no período de 1920 a 1934, os japoneses concentram-se principalmente nos estados de São Paulo e Pará. Especifique as áreas e os principais produtos por eles cultivados.

Resposta:
São Paulo: capital e arredores (hortifruticultura), vale do Paraíba (arroz e hortifruticultura), Oeste Paulista (algodão), vale do Ribeira (chá, banana); Pará: região Bragantina (pimenta-do-reino), vale médio do Amazonas (arroz e juta).

02.(Uniube-MG) Na segunda metade do século XIX, o Brasil recebeu um grande contingente imigratório. Um dos grupos de imigrantes se destaca por ter participado da fundação de várias cidades, tais como Blumenau, Joinville, São Leopoldo e Novo Hamburgo. O texto refere-se aos imigrantes:
a) italianos.
b) franceses.
c) alemães.
d) espanhóis.
e) portugueses.
Resposta: C

O auge da imigração alemã foi entre 1850 e 1871.

8. Emigrações

A queda da imigração foi motivada por vários fatores, como as melhores condições de vida no pós Segunda Guerra Mundial na Europa e o avanço da indústria paulista, que aproveitou os migrantes nordes- tinos, anulando a importância da imigração européia.
O governo federal, preocupado com o excesso de desempregados em regiões como o Nordeste, implantou as medidas restritivas (Constituição de 1934), oficializando a decadência da imigração.
Mais tarde, na década de 1970, começou o processo de reversão, pelo qual o país passou a ser emigratório, isto é, pessoas passaram a ir para o exterior, em razão do autoritarismo da ditadura militar (exilados), da crise econômica após o " Milagre Econômico" (1973 – 1º choque do petróleo) e do agravamento da crise na década seguinte.
Os brasileiros continuam buscando trabalho no exterior, "sonhando" em acumular dinheiro por um prazo, objetivando até voltar com melhores condições de investimentos. Como, geralmente, estão em condição ilegal nos países escolhidos, sofrem discriminação social, favorecendo a exploração. Observe, pela tabela, a localização desses brasileiros

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9. Decasséguis

São os imigrantes japoneses e seus descendentes, inseridos na nossa sociedade, os quais optam por trabalhar no Japão. Pela lei nipônica, o visto de trabalho é apenas para os nisseis, sanseis e para os casados com descendentes de japoneses.
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Revista Made in Japan / Ministério da Justiça do Japão
Leitura Complementar
Decasséguis
A pouco tempo de completar o centenário da chegada dos japoneses no Brasil, levas de imigrantes de origem japonesa partem daqui para o Japão. São os dekasseguis, os imigrantes ou descendentes que, já inseridos na sociedade brasileira, vão trabalhar temporariamente no Japão, visando aos altos salários ali pagos.
Até a segunda metade da década de 1970, havia o regresso de japoneses, mas inexistia o dekassegui. Nos últimos seis anos tem-se intensificado a saída de imigrantes japoneses e seus descendentes para o Japão, em sua maioria na faixa etária de 20 a 35 anos.
A crise econômica no Brasil, com a alta inflação, baixos salários e falta de perspectivas induz muitos a saírem do País em busca de atividade econômica mais rentável. Por outro lado, no Japão, desde 1984, começou a haver escassez de mão-de-obra para trabalhos não especializados, chegando a se tornar séria a situação, inclusive com o fechamento de fábricas. O imigrante japonês e seus descendentes passam a ser seduzidos com propostas tentadoras de trabalho no Japão. No início, eram recrutados via agências de turismo ou por outros intermediários, atraídos por anúncios em jornais de língua japonesa editados no Brasil. Em 1990 foi aprovada nova lei, no Japão, de controle da entrada de estrangeiros. Eles passaram então, a ser contratados legalmente.
O salário era convidativo e, por volta de 1986 explode um verdadeiro “boom” no movimento dekassegui. E não só originários do Brasil, mas também de outras comunidades japonesas como as da Argentina, Peru, Paraguai, Bolívia e outros. Filhos e netos dos imigrantes japoneses, com os mesmos problemas que tiveram seus pais e avós, quando saíram do Japão para o Brasil, percorrem agora o caminho inverso.
Estima-se que atualmente 230 mil dekasseguis brasileiros (legais e ilegais) trabalhem nos setores automobilístico, eletrônico e de alimentos. No Japão, nos tempos áureos, trabalhadores conseguiam salários de 3 mil a 5 mil dólares mensais. O movimento dekassegui injetou muito dinheiro no Brasil, que movimentou a economia local, visível principalmente nas cidades pequenas onde os dekasseguis começaram a adquirir imóveis e abrir negócios.
Mas o movimento dekassegui também criou problemas sociais: desaparecimento de pessoas: o marido vai ao Japão e pára de dar notícias e sustento à família ou o abandono dos velhos à sua própria sorte no Brasil. No Japão existem exploradores de decasséguis que, a título de comissão para arrumar emprego, extorquem parte de seus salários.
A mudança na situação econômica do Japão, nos últimos três anos, e a recessão fizeram diminuir a oferta de empregos e a procura por trabalhadores estrangeiros caiu 80%. A situação já não era confortável ou próspera antes (muito trabalho, sem luxo e sem lazer, só poupança; ambientes de trabalho hostis, de autoritarismo e discriminação social), piora com a crise econômica. Aumentou o número de dekasseguis brasileiros desempregados e muitos não têm nem dinheiro para a passagem aérea para retornar.
Famílias inteiras de brasileiros estão desempregadas e viraram sem-teto, debaixo de pontes e viadutos em cidades e na capital, Tóquio.
O principal motivo de atração é, sem dúvida, os altos salários pagos, em comparação com o Brasil, apesar da extensa jornada de trabalho e das dificuldades de adaptação. Normalmente, a maioria trabalha em indústrias eletrônicas, elétricas e de peças automobilísticas, e vivem em pequenos apartamentos, de preferência próximos ao trabalho.
Em 1997, com a crise asiática, o desemprego aumentou no Japão, e a recessão econômica inibiu a entrada de estrangeiros.
Imigração japonesa no Brasil,
Série Resumos.

10. “Brasiguaios”

São os brasileiros que, a partir da década de 1970, optaram por residir no Paraguai, incentivados pelos baixos preços da terra. O governo do país vizinho autorizou o loteamento de pequenas propriedades na região do Alto Paraná, atraindo os brasileiros, uma vez que a terra, do nosso lado (Paraná e Santa Catarina), era cara demais.
No entanto, houve corrupção por parte de empresas particulares e do próprio governo paraguaio no processo de colonização, como a venda de uma mesma propriedade a dois compradores, o que resultou em conflitos. Posteriormente, o pequeno produtor, abandonado pela falta de legislação, foi desapropriado e muitos vivem na miséria ou optam pela volta ao Brasil.
Apesar do desprezo e do abandono por parte do governo, na década de 1990 os "brasiguaios" foram responsáveis por 90% da soja e 80% do milho produzidos no Paraguai.

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M. Adas, Panorama Geográfico do Brasil.
Confira, no mapa outros exemplos emigratórios.

Exercícios Resolvidos

01. Quais foram os motivos que levaram o governo brasileiro a restringir a imigração a partir de 1934?

Resposta
As medidas restritivas à imigração, promulgadas nas Constituições de 1934 e 1937, deveram-se a dois motivos principais: a existência de um excedente de mão-de-obra no país, em especial no Nordeste (pela crise dos cultivos da cana-de-açúcar e do algodão), e o grau de consciência política dos imigrantes em geral, que realizaram as primeiras greves e constituíram espontaneamente os primeiros sindicatos de trabalhadores no Brasil.

02. (Vunesp) Os imigrantes japoneses começaram a chegar ao Brasil em 1908, atingindo, na atualidade, aproximadamente 1,5 milhão de “nikkeis”, os quais englobam imigrantes japoneses e seus descendentes. Nos últimos anos, tem crescido a ida de brasileiros para o Japão, principalmente na faixa produtiva dos 20 aos 35 anos. Esta inversão no fluxo migratório está vinculada à(ao):
a) desejo de conhecer e se engajar em trabalhos altamente especializados.
b) entrave burocrático provocado pela lei brasileira que proíbe o trabalho de imigrantes japoneses e seus descendentes.
c) desejo de fazer turismo a baixo custo, apesar dos altos salários recebidos no Brasil.
d) boa aceitação da comunidade japonesa, que reserva aos imigrantes os melhores e mais valorizados empregos.
e) engajamento no mercado de trabalho não-espe-cializado e temporário, através de agenciadores ou in-termediários.
Resposta: E

A migração de nipo-brasileiros para o Japão visa a suprir a demanda por mão-de-obra pouco especia-lizada.

sábado, 22 de maio de 2010

2ªS SÉRIES - A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA

2ªSÉRIES - 2º BIMESTRE


A Industrialização Brasileira

Introdução

A indústria é uma atividade humana e econômica que transforma, em etapas sucessivas, produtos naturais em bens para o consumo. Ela apresenta como lado positivo a geração de empregos, o desen- volvimento econômico de uma região e o acesso à tecnologia, mas, por outro lado, gera poluição e agrava as desigualdades sociais.
A produção industrial moderna, no sistema capi- talista, é realizada no âmbito das empresas e dos estabelecimentos industriais. A empresa industrial é a unidade financeira de produção, que pode englobar um ou mais estabelecimentos industriais e que realiza as compras e vendas necessárias ao funcionamento da indústria.
O estabelecimento industrial é a unidade técnica de produção através da qual se obtém um produto final ou uma linha de produtos que emprega as mesmas matérias-primas ou os mesmos processos industriais. Assim, o estabelecimento industrial põe em funciona- mento os meios de produção, e a empresa industrial cria as condições para esse funcionamento (compra as matérias-primas necessárias, os equipamentos e as máquinas, paga o pessoal, consegue capitais, empréstimos, vende a produção etc.)

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Indústria têxtil (Tipo instalado desde o século XIX)


Tipos

Existem diversos critérios para se classificar a produção industrial. Se tomarmos como ponto de referência o destino final da produção, podemos distinguir as indústrias de bens de equipamento e as indústrias de bens de uso ou de consumo.

Os bens de equipamento, também chamados bens de produção ou bens de capital, são os produtos industriais que não se destinam ao consumo imediato das populações, mas são utilizados para manter e ampliar a própria produção industrial.

Incluem-se nessa categoria a produção de energia, de máquinas, de ferramentas, de aparelhos, como também a própria produção de matérias-primas e de produtos semi-elaborados. Os consumidores dos bens de equipamento são as próprias empresas industriais.

Bens de uso ou de consumo são os produtos industriais destinados ao consumo imediato, não necessitando de novas transformações industriais. Como exemplo poderíamos citar o automóvel ou os calçados (bens de uso), os alimentos, as bebidas, o fumo (bens de consumo).

Outra forma de classificar as indústrias é agrupá-las em pesadas e leves, usando-se como critério o volume de investimento que elas demandam.

A indústria pesada é sempre de grande porte, transformando enormes quantidades de matéria-prima. É o caso das indústrias siderúrgicas, das petro- químicas e das indústrias de mecânica pesada. Chamam-se também indústrias de base. Além de demandar grande investimento de capital, costumam concentrar-se geograficamente na proximidade das áreas produtoras das matérias-primas ou dos grandes centros de consumo de seus produtos.

A indústria leve engloba os setores industriais cuja produção não depende de investimentos vultosos, podendo operar mesmo em pequena escala. É o caso das indústrias alimentícias, têxteis, das metalúrgicas produtoras de peças, e ainda das indústrias fabricantes de aparelhos e equipamentos de alta precisão, como máquinas calculadoras, computadores etc. A indústria leve apresenta maior dispersão geográfica que a indústria de base.

Histórico

Antes da industrialização, a organização do espaço geográfico no Brasil era do tipo “arquipélago”, ou seja, áreas relativamente independentes e sem integração umas com as outras. Cada área tinha mais relações com o exterior, sobretudo com o mercado europeu, do que com as demais áreas. As “ilhas” desse arquipé- lago eram: a cana da Zona da Mata, o tabaco de Salvador, o ouro de Minas Gerais, a borracha da Amazônia e o café do Sudeste. A industrialização promove a integração do espaço nacional, colocando fim ao “arquipélago econômico”.

No século XIX, a industrialização do país era fraca, em razão de vários fatores, como o domínio econômico da aristocracia rural agroexportadora e das relações escravagistas de trabalho. O escravo era um empecilho à industrialização, pois não participava do mercado consumidor, já que não recebia rendimentos, além do que não poderia ser demitido numa crise ou contratado numa fase de expansão. Observe, pela tabela a seguir, a “tímida” industrialização.


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Fonte: Heitor Ferreira Lima, História político-econômica e industrial do Brasil


A cafeicultura foi básica para a industrialização do país, pois foi com os capitais gerados pelas expor- tações do café que se adquiriram as primeiras máquinas para as indústrias. Os imigrantes, atraídos pelo café, também contribuíram para o processo, já que dispunham do hábito de consumir produtos, ampliando o mercado interno de consumo, além de formar uma importante mão-de-obra operária para a indústria nascente. Este imigrante foi a opção para substituir o trabalho escravo, extinto em 1888. A cafeicultura desenvolveu o transporte ferroviário , sobretudo em São Paulo, direcionado ao porto de Santos, objetivando o mercado externo. Essa infra-estrutura também foi aproveitada pela indústria, que era caracterizada pelos setores de alimentação e têxtil.

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Fonte: Heitor Ferreira Lima, História político-econômica e industrial do Brasil

Pela tabela, percebe-se que a industrialização nacional começou com a indústria leve ou de bens de consumo não-duráveis, não ocorrendo a implantação de indústria de bens de produção, exigindo a impor- tação de máquinas, aumentando a dependência tecnológica em relação aos países ricos. Essas indús- trias verificadas na tabela exigiam baixo investimento de capital e atendiam às necessidades imediatas da população.
No campo político, surgiram as ligas operárias em 1870, que originaram os sindicatos de trabalhadores, evidenciando os conflitos entre os trabalhadores e os empresários. Aqueles reivindicavam aumento de salário, redução da jornada de trabalho e melhores condições para se trabalhar; enquanto estes respon- diam com ameaça de desemprego.
Em suma, a nossa industrialização inicial ficou conhecida por tardia, pois os países centrais já estavam bem avançados, o que garantia a hegemonia mundial.




Exercícios Resolvidos

01. Indique pelo menos três fatores positivos para uma adequada localização de indústrias.
Resposta
Proximidade das matérias-primas, do mercado consumidor, de mão-de-obra numerosa, das vias de transporte, de energia abundante etc.

02. (Fuvest-SP) Relacione e justifique dois fatores relevantes que favoreceram o processo de industria- lização na cidade de São Paulo.
Resposta
– Concentração de capitais advindos do café, pois os recursos obtidos com a sua exportação perma- neciam no Brasil, diferentemente da cana no período colonial.
– Criação de mercado consumidor devido ao em- prego de mão-de-obra assalariada, exemplificada pelos imigrantes.



A Revolução Industrial Brasileira

A industrialização brasileira iniciou-se no século XIX, sem apoio do Estado, uma vez que não existia uma clara política estatal para o setor, mas, a partir de 1930, o Estado assumiu a industrialização, o que causou uma verdadeira revolução. Os fatores eram positivos, como o êxodo rural gerado pela crise na cafeicultura, aumentando a classe operária e o próprio mercado consumidor; a redução das importações, devido à crise mundial de 1929; a substituição dessas importações, devido à Segunda Guerra Mundial.
Junto a esses fatores, Getúlio Vargas adotou uma política nacionalista calcada num desenvolvimento autônomo com base industrial, fato exemplificado pelo plano qüinqüenal de 1939; pela instalação da Compa- nhia Siderúrgica Nacional, a CSN(1941), em Volta Redonda; e pela criação da Companhia Vale do Rio Doce, a CVRD ( 1942 ), em Minas Gerais, atuando na área extrativa. Ainda no “ espírito” nacionalista, surgiu, em 1938, o Conselho Nacional do Petróleo, e a Petrobras, em 1953, objetivando controlar o petróleo para o desenvolvimento dos transportes.

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Fonte: Diniz, Eli. Empresário, Estado e Capitalismo no Brasil (1930-45)


A tabela evidencia nossa revolução industrial e uma maior diversificação com metalurgia, cimento, mecânica, material elétrico, transportes, entre outras, sobretudo em São Paulo e Rio de Janeiro, por causa da infra-estrutura deixada pela cafeicultura.



O Governo Juscelino Kubitschek

Este governo, de 1956 a 1961, adotou uma política desenvolvimentista, baseada numa maior intervenção do Estado na economia e no desenvolvimento indus- trial dependente de capitais e tecnologia estrangeiros.
Nesse contexto, foi lançado o Plano de Metas, consagrado pela frase “ Crescer 50 anos em 5”, cujos objetivos abrangiam seis grupos: energia, transporte, alimentação, indústria de base, educação e a construção de Brasília. O plano foi marcado pela invasão de multinacionais e pelo desenvolvimento da infra-estrutura, notadamente rodovias e hidrelétricas, com capital estatal. Observe, pela tabela abaixo, a entrada do capital estrangeiro.

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Fonte: Luiz Carlos Bresser Pereira, Desenvolvimento e crise no Brasil.

Esse capital impulsionou as indústrias de bens de consumo duráveis, principalmente automóveis e eletro- domésticos, e aumentou o consumo dos derivados de petróleo. As multinacionais impuseram novidades de consumo, idealizadas pelo american way of life, ampli- ando o seu poder na América Latina. O resultado foi o aumento da dependência econômica e tecnológica em relação aos países ricos, sobretudo EUA e Alemanha, além da elevação do endividamento externo.

Em suma, o Plano de Metas assentava-se num tripé: capital estrangeiro , capital nacional e a indústria de base, com preocupação quanto à expansão da rede de transportes rodoviários e à produção de energia hidrelétrica.


O Milagre Econômico (1967-1973)

A partir de 1967, retomou-se o processo de desenvolvimento, graças à conjuntura favorável no plano internacional, que contava com um excesso de liquidez, ou seja, dólares à procura de aplicação. Aproveitando a situação, o ministro Delfim Netto lançou o plano de combate à inflação, assentado em duas bases: o endividamento externo para a obtenção da tecnologia estrangeira e a concentração da renda para criar um mercado consumidor.
Esse plano garantiu um crescimento econômico, mas condenou o mercado a se desenvolver de uma forma distorcida, aumentando as desigualdades sociais.

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Fonte: IBGE


Outro lado negativo foi a perda da soberania nacional, em razão da dominação da nossa economia pelas multinacionais. O país cresceu economicamente 10% ao ano (PIB) e transformou-se na oitava economia do mundo capitalista, mas ganhou vários problemas, como dívida externa (1964: 2,5 bilhões de dólares; 1978: 40 bilhões) e o título negativo de campeão das desigualdades sociais. A partir daí, aumentaram muito os miseráveis (ou excluídos) do país. (Observe a charge).


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Fonte: Folha de S. Paulo

O “milagre” ocorreu no Regime Militar (1964-85), marcado pela grande influência do Estado tanto na regulação da economia como também na atitude econômica. Um bom exemplo industrial organizado pelo Estado foi a criação da Suframa, a Superintendência da Zona Franca de Manaus, em 1968, atrelada à Sudam. Ela vendia terrenos para as fábricas a preços simbólicos, com incentivos à exportação e à importação, bem como isenções de impostos, como o IPI e o ICMS. O parque industrial abrangeu fábricas de motocicletas, bebidas, metalúrgicas, tecidos, relógios, motores, eletrônicos, e até uma refinaria de petróleo.

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Fonte: IBGE

Das quatro superintendências do mapa, três foram criadas pelo regime militar: a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em 1966; a Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul (Sudesul), em 1967; e a do Desenvolvimento da Região Centro-Oeste (Sudeco), em 1968. A da Região Nordeste foi criada 1959. Elas evidenciaram a política federal de integração e desenvolvimento nacional, visando a diminuir as disparidades regionais e a concentração econômica no Sudeste.


Exercícios Resolvidos

01. (Fuvest-SP) No período compreendido entre os anos JK e o final do governo Geisel, o Brasil apresentou, entre outras características econômicas:
a) o predomínio da substituição de importações de bens de consumo e a redução das disparidades regionais.
b) grande desenvolvimento industrial dependente de tecnologia e capitais estrangeiros e maior intervenção do Estado na economia.
c) grande expansão das empresas industriais de capitais nacionais, privados e estatais, e declínio da dívida externa.
d) o predomínio da substituição de importações de bens de consumo e menor intervenção do Estado na economia.
e) grande desenvolvimento industrial dependente de tecnologia e capitais estrangeiros e a redução das disparidades regionais.
Resposta: B.Foi o período de maior invasão das multinacionais.

02. (Vunesp) O período de 1969-1973 caracterizou-se pelo crescimento acelerado da economia brasileira, ou seja, as taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) alcançaram cifras superiores a 10% ao ano. Este processo foi gerado por medidas político-econômicas implementadas pelos governos militares pós-64. Nesse período, ocorreu o que se denominou de:

a) “Milagre brasileiro”.
b) “Crescer 50 anos em 5”.
c) “Brasil ano 2000”.
d) “Plano de Metas”.
e) “Diretas já”.
Resposta: A
O “milagre” foi articulado pelo economista Delfim Netto.
Leitura Complementar:

O Pós-1985


A década de 1980 ficou conhecida como a década perdida e foi caracterizada pela recessão, inflação e desemprego, gerados por uma economia estagnada após o segundo choque do petróleo de 1979. Nesse contexto, vários setores da sociedade apontavam o fim do Regime Militar, como “saída” para a crise, mas os problemas continuaram (como a inflação elevada) com os governos civis no poder, fato que comprometeu a nossa industrialização.
Para controlar a inflação, só no governo Sarney, três planos foram tentados, mas todos fracassaram, deixando a classe média mais pobre, com a queda do poder aquisitivo dos salários: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989). Nos demais governos, Collor, Itamar e FHC, foi adotada a receita neoliberal, imposta pelos EUA e pelo FMI, na qual o objetivo visa a diminuir a participação do Estado na economia, com privatizações. Começou com as siderúrgicas e passou pela telefonia, energia e extrativismo mineral, entre outros setores.
A sociedade passou a questionar o modelo neoliberal, pois a qualidade dos serviços piorou, as tarifas ficaram elevadas e, o pior, o dinheiro obtido das vendas das empresas estatais foi usado apenas para pagar os juros da dívida externa. A reeleição de FHC, em 1998, foi explicada pelo mérito em controlar a inflação.




Para agravar a industrialização, o modelo neoliberal está inserido no processo de globalização, coordenado pelos EUA e por outros países ricos, abrindo mais a economia nacional para o grande capital, gerando falências internas, pois a concorrência é desleal. Essa modernidade imposta não foi acompanhada por reformas estruturais, fato constatado nos dois gover-nos de FHC, pois não ocorreu a reforma tributária, fundamental para nossa industrialização, reduzindo o poder de investimentos. Resultados: agravamento da exclusão social, desemprego, concentração de renda e arrocho salarial.


Concentração e Desconcentração Industrial

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Fonte: MEC/FAE, Atlas geográfico, p. 28.

Quanto à distribuição espacial da indústria, o que se verifica é uma grande concentração de estabe- lecimentos na região Sudeste.
A concentração industrial na região Sudeste e, sobretudo, no Estado de São Paulo, deve-se a fatores históricos que já conhecemos. Esses fatores (a lavoura de café, entre outros) orientaram o surgimento da atividade industrial nessa região. Mas um outro fator também explica essa concentração espacial – é a interdependência que se estabelece entre as várias empresas industriais. Por exemplo, a indústria automobilística está ligada às metalúrgicas, às indústrias de autopeças, de tintas, de vidros etc.

Além disso, a concentração industrial é acompa- nhada pela concentração das demais atividades econômicas e extra-econômicas. Assim, a indústria, o comércio e o sistema bancário e financeiro dependem uns dos outros.
Por outro lado, a concentração das atividades econômicas gera um grande número de empregos, atraindo população de outras regiões e criando grandes centros populacionais, que necessitam de serviços, incluindo-se escolas, centros culturais e profissionais. Por isso, as grandes metrópoles são também os núcleos culturais mais desenvolvidos do país.


A desconcentração industrial ocorreu a partir da década de 1970, motivada pelos desequilíbrios regionais que levaram o governo a adotar medidas como incentivos fiscais e programas para as áreas periféricas, surgindo, por exemplo, os pólos petroquí- micos de Camaçari (BA) e de Canoas (RS).
Na década de 1980, a crise econômica gerada pelo alto preço do petróleo atingiu a área mais industrializada do país, a região metropolitana de São Paulo, inibindo a instalação de novas unidades industriais, com desvantagens como a organização sindical forte, assustando os empresários, e a saturação da infra-estrutura viária.

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Fonte: Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de S. Paulo

Observando o mapa, a concentração ocorre na Grande São Paulo, com diversidade industrial, e a desconcentração ocorre acompanhando as grandes rodovias. Na via Dutra (1), destaca-se São José dos Campos, entre outras, com indústrias aeroespacial e bélica. No Eixo Castelo Branco (2), destaca-se Sorocaba; no Eixo Anchieta – Imigrantes, sobretudo em Cubatão desenvolvem-se os ramos químico, petroquímico e siderúrgico; e no Eixo Bandeirantes, até as vias Anhangüera e Washington Luís, a agroindústria é a de destaque.
Quanto ao Espírito Santo, este estado é o menos industrializado do Sudeste, mas ali se desenvolvem os ramos metalúrgico, alimentício e o madeireiro. No Rio de Janeiro, a industrialização acompanhou a função portuária, beneficiando-se da condição histórica de conter a capital do país até a construção de Brasília. Atualmente, o forte é o setor petrolífero no norte Fluminense, na região de Macaé.

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Fonte: MEC/FAE, Atlas Geográfico, p. 39.










Quanto ao Estado de Minas Gerais, o ramo alimentício marca o Triângulo Mineiro (Araguari, Uberaba e Uberlândia) e o sul, com Poços de Caldas e Alfenas. O principal ramo é o metalúrgico, transformando o rio Doce no “Vale do Aço”, devido ao complexo siderúrgico e às reservas de minerais metálicos. Mas, a cidade mineira mais famosa é Itajubá, com o segundo maior crescimento em PIB do país entre 1970 e 1996. O segredo está na associação educação-tecnologia, com universidades, mão-de-obra qualificada e indústrias com alta tecnologia, que produzem fibras ópticas, reatores, componentes eletrônicos e até helicópteros (Helibrás). Portanto, é o mais novo exemplo de tecnopolo.
Os “tecnopolos” são parques empresariais e científicos especializados no desenvolvimento da alta tecnologia e da chamada tecnologia de ponta (química fina, robótica, informática, eletrônica, raio laser etc.).
As regiões de Campinas (favorecida pela presença da Unicamp), de São José dos Campos (onde está localizado o Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA) e São Carlos (que abriga a UFSCar e um campus da USP) são alguns dos centros industriais que ostentam a tecnologia mais avançada do país.
9. Nova Desconcentração
A partir da década de 1990, a nova desconcen- tração ganhou o apelido de “Guerra Fiscal” entre os Estados, pois as indústrias são disputadas entre os Estados, que oferecem terrenos e isenções. As indústrias que, por exemplo, deixam o Estado de São Paulo alegam que o processo de globalização exige custos finais mais baixos para ganhar competitividade, aproveitando as vantagens citadas, além da mão-de-obra mais barata e menos politizada. Confira a desconcentração, pela tabela:


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Veja, 7 de março, 2001
A região Sul, segunda em industrialização, estruturou-se nos ramos alimentício e têxtil, respectivamente, na Grande Porto Alegre (RS) e no eixo Joinville-Blumenau – Brusque (SC). Mas, crescem os ramos químico, metalúrgico e siderúrgico, sendo Florianópolis a vedete nacional com o maior crescimento do PIB, nos últimos anos.
A Região Norte, como vimos, está relacionada à Zona Franca de Manaus, enquanto no Centro-Oeste, a região menos industrializada cresce no ramo alimentício, sobretudo os frigoríficos e, atualmente, nos ramos mineral e de material elétrico. Essas regiões são prejudicadas pela deficiente rede de transporte e pelo mercado consumidor restrito.
Quanto ao Nordeste, a terceira região industrializada, a concentração ocorre na Zona da Mata ou Litoral Oriental, sobretudo na região Metropolitana de Salvador, com o pólo petroquímico de Camaçari, “alimentado” pela Refinaria Landulfo Alves, além do Distrito de Aratu, com siderurgia (Usiba); e a região Metropolitana de Recife, em Cabo e Paulista, com indústrias química, metalúrgica e de material elétrico.

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Fonte: MEC/FAE, Atlas geográfico, p. 42.



Exercícios Resolvidos

01. (Fuvest-SP)
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Fonte: BIM, CD-ROM, IBGE, 2000.
a) Que Estados apresentam menor concentração de pessoas ocupadas na indústria de transformação? Justifique sua resposta.
b) Apresente duas justificativas que expliquem a maior concentração de pessoas ocupadas na indústria de transformação em quase todos os Estados das regiões Sudeste e Sul do país.

Resposta
a) Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Sergipe; devido ao pequeno desenvolvimento da infra-estrutura e à orientação da economia para as atividades agropecuárias e extrativas.
b) Maior desenvolvimento do setor industrial, decorrente do maior mercado consumidor, do maior acúmulo de capitais e da maior sofisticação da infra-estrutura.


02. (Mackenzie-SP) Destacam-se na expansão industrial de São Paulo quatro grandes eixos viários, exceto o:
a) eixo Dutra, ao longo do Vale do Paraíba;
b) eixo Anhangüera–Bandeirantes, onde se desta- cam Campinas e Ribeirão Preto;
c) eixo Castelo Branco, que tem como destaque Sorocaba;
d) eixo Régis Bittencourt, que abrange o Vale do Ribeira;
e) eixo Imigrantes–Anchieta, que inclui o ABCD e a Baixada Santista.
Resposta: D
O eixo Régis Bittencourt é uma área agrícola.

COC - VESTIBULARES

domingo, 2 de maio de 2010

2ªS SÉRIES - RODADA DOHA - QATAR ou CATAR

2ªs SÉRIES - 2º BIMESTRE






RODADA DOHA

Imperialismo e agricultura - A conspiração de Doha

Enquanto não me chega a inspiração para passar ao papel as minhas reflexões e experiência sobre as alterações que atingem a agricultura neste tempo de mundialização capitalista, olho para a mão que segura a caneta, a mesma que ontem segurava o arado ainda de modelo romano, que virava o chão que nos dá o alimento para a vida e vida para transformar o mundo. Tudo isto para dizer da minha profunda ligação à terra nas suas vertentes ecológica, económica e social. Afinal eu sou um romântico e não sabia, até ao dia em que o Comissário da Agricultura, Franz Fischler, me lançou isso à cara num comité consultivo da PAC (Política Agrícola Comum), numa daquelas reuniões em que o comissário expõe em escassos minutos os objectivos da Comissão e em que raramente é questionado pela simples razão de que os que lá estão estão de acordo com os objectivos. Mas como há sempre uma voz para dizer não, estava lá eu nesse dia e atrevi-me a dizer-lhe que a sua reforma ia trazer a destruição do mundo rural, que o que precisávamos era de outras políticas com preços justos à produção para preservar os numerosos agricultores das diversas regiões. Surpreendido e incomodado porque não gosta que ninguém lhe estrague a encenação, despachou o assunto limitando-se a dizer que eu era um omântico.Franz Fischler foi de resto o Comissário que mais sacrificou a agricultura aos objectivos da mundialização do capital, objectivos esses que neste mês de Novembro conhecem novo episódio com mais uma cimeira da OMC. Para tentar fechar o ciclo de negociações de Doha (*) para a liberalização total das trocas agrícolas e abrir, enfim, as auto-estradas ao «livre comércio» da «economia de mercado», como dizem pudicamente os lacaios deste sistema que não ousam chamar-lhe capitalismo de tal forma ele está mal visto.

Porquê Doha?


As primeiras reuniões dos mandatários do sistema para organizar a globalização tiveram fortes movimentos de protesto. Foi assim que em Seattle (EUA) e em Cancun (México) não puderam chegar a um acordo e no último caso tiveram mesmo de acabar a reunião precipitadamente devido à imolação do companheiro Lee, camponês sul-coreano, que espetou uma faca no ventre num gesto de sacrifício extremo contra a globalização da OMC. Desde então, para evitar grandes manifestações, escolheram Doha, capital do Qatar, onde não pode haver protesto por falta de condições logísticas locais e aí puderem decidir as regras para saquear o sector agrícola.

O contexto geopolítico atual

Com a passagem da agricultura a uma lógica de lucro e a sua subordinação ao capital financeiro e influência crescente das multinacionais, após a ratoeira da dívida externa e as intervenções militares que durante muito tempo amordaçaram os países, o capitalismo quer agora o controlo da agricultura, onde a alimentação tem cada vez mais um papel central como arma para controlar as populações e os países – a dependência cada vez mais forte da importação de alimentos aumenta a dependência política dos países. Estão claros os objectivos da ronda de Doha: alcançar um acordo que permita o domínio da arma alimentar, eliminar milhares de explorações agrícolas familiares. É uma prioridade para o sistema dar corpo ao seu projecto e desimpedir o caminho.

A dinâmica política no plano mundial

Todo este processo de mundialização da agricultura é comandado a partir dos centros de decisão do capitalismo europeu e americano e embora haja os tais países emergentes que despontam na cena política internacional não é ainda o fim da hegemonia ocidental que abriga 90% das empresas multinacionais tem um peso preponderante nas instituições financeiras mundiais, são o centro da decisão em matéria de preços, controlam a dívida externa do Terceiro Mundo e dispõem do braço armado do sistema com 700 bases militares espalhadas pelo mundo. A PAC foi sempre uma política de classe virada contra os pequenos e médios agricultores que se tem acentuado mais em cada reforma e foi sempre um meio de canalizar dinheiro público para os privilegiados das indústrias agro-alimentares, grandes proprietários latifundiários. A partir de 1992, as reformas da PAC tiveram sempre por base a baixa do preço à produção para nivelar os preços internos pelo preço mundial. Isto faz com que a produção nacional entre em colapso porque os preços não reflectem os custos de produção. Segundo a teoria de Ricardo um preço de referência só pode ser aquele que cobre os custos de produção mais altos. Com a mundialização o capitalismo faz o inverso. Mas tudo isto está relacionado com o que ficou conhecido pelo «Consenso de Washington», que determinou o início de uma era neoliberal da economia mundial centrada na sobre-exploração da mão-de-obra e dos recursos da natureza. A Europa mais forte, segundo Sócrates no seu Tratado de Lisboa, é isso mesmo. A passagem à prática do «Consenso de Washington» é mais uma machadada no mundo do trabalho, sejam camponeses ou não. Por isso Sócrates passou a ser o «Senhor Contente» pela aprovação do Tratado.

A agricultura no contexto político internacional

A agricultura tornou-se numa das novas fronteiras de acumulação do capital. Tudo aquilo a que assistimos são as grandes manobras do capitalismo para preparar a sua estratégia para a primeira metade do século XXI, com base num modelo agro-exportador, cujos estudos de rentabilidade económica feitos pelo Banco Mundial dão a seguinte conclusão: para alimentar dentro de um quarto de século a população mundial é preciso duplicar a produção agrícola. Diz o Banco Mundial que só o capital está em condições de realizar essa tarefa. Conclusão perigosa a do Banco Mundial, nem de propósito é uma conclusão para entregar ao capital o imenso jazigo de matéria-prima que é a actividade agrícola. A imposição de um modelo produtivista e agro-exportador tem de ser combatida pois só a agricultura familiar pode assegurar a soberania alimentar. Não podemos ficar reféns de um modelo baseado na especulação e nos jogos da Bolsa, modelo que traz de volta a escravatura e a monocultura como no tempo do colonialismo e que é uma ameaça à biodiversidade e terá consequências directas no fenómeno das migrações internas e externas de camponeses e camponesas empobrecidos, que terão de exilar-se para as regiões ou países mais ricos e isto diz respeito a 50 milhões de camponeses por ano mundialmente falando. A velha questão da posse e uso da terra vai conhecer novos contornos. A teoria de alguns agrónomos da nossa praça de que a terra já não é precisa para produzir mas para consumir não passa no exame. O capital está a comprar ou a alugar as melhores terras em todo o mundo,como acontece com os espanhóis no Alentejo!
Em Portugal vamos nós ficar dependentes do arroz asiático que já tem tantas bocas à sua espera?! A par das desigualdades crescentes em todos os países, é previsível o aparecimento de uma nova classe de ricos no hemisfério Sul, resultado do modelo agro-exportador e da escravatura. Mas o projecto do capitalismo e os estudos do Banco Mundial podem não dar certos, o saque da natureza tem limites, a terra não se adapta às políticas, as políticas é que se adaptam à terra. A terra para produzir precisa de ser acarinhada e ambientalmente preservada, mas isso não se encaixa na lógica do lucro. Para um marxista-leninista é fundamental observar estas alterações para poder interpretar os fenómenos societais que entretanto se vão produzindo. Tanto mais que o capitalismo declarou uma guerra atípica e assimétrica cujo campo de batalha é na cabeça das pessoas.

Eu só tenho pena é das minhas vacas...

Todos os sectores da agricultura estão em crise mas é sem dúvida o sector do leite que mais tem dado nas vistas pelas acções espectaculares dos seus produtores e porque a crise atinge produtores de um patamar elevado que, pela sua dimensão, julgavam não serem atingidos. Primeiro foram os pequenos e eles não se importaram, diziam mesmo que numa agricultura competitiva não havia lugar para todos. Eles que foram sempre cúmplices da PAC, chegou agora a sua vez. Os ingredientes perfeitos para uma crise aí estão. Importações a baixo preço e subida dos custos de produção, reestruturação forçada das explorações, normas ambientais, dimensão adequada (concentração) adaptação ao mercado, aumento do volume de produção (subida das quotas) e retracção do consumo. Para o capitalismo nada chega das quatro tetas que tem a vaca. Para o produtor, que ainda por cima tem de sustentá-la, só fica uma teta, as outras três são para o capitalismo mamar e isto sem ter que se ocupar da vaca.
Com a reforma da PAC de 2013, que eu chamo a mãe de todas as reformas, está previsto o fim das quotas leiteiras, o que irá fazer explodir o sector. Sem instrumento de gestão da produção o sector não resiste à adaptação à mundialização, está assim entre as vítimas da conspiração de Doha. Outros sectores vão também ser atingidos com o fim dos instrumentos de gestão da produção e o abate das barreiras de protecção. Recentemente, numa reunião em Bruxelas, ao discutir-se o futuro do sector leiteiro, uma produtora de leite das Astúrias, que tanto poderia ser da Galiza como do Minho, depois de ouvir que a sua actividade está posta em causa, que o mundo rural desaba à sua volta, disse visivelmente emocionada: «eu só tenho pena é das minhas vacas que a elas estou habituada». A esta agricultora com rosto humano e com sentimentos, os tecnocratas, os comissários do capital não só não a entendem com a desprezam. A isto, o Comissário Franz Fischler chamaria de romantismo.

Sem agricultores não há agricultura, não há país

A função dos agricultores vai muito para além da produção de alimentos, contribuem também para a identidade e a soberania nacional. Mas como o capital financeiro quer uma liberdade total de movimento, a soberania nacional é um estorvo. Assim sendo, a ordem é para arrasar e nisso colaboram os governos do PS/PSD/CDS desde há 30 anos, que destruíram um património com dois séculos legado por várias gerações de agricultores. Participando activamente neste projecto do capital, deixaram os agricultores portugueses sem preços e sem mercado e o país exposto a uma crise alimentar grave e com um custo de 3000 milhões de euros/ano de défice agro-alimentar. Num país que tem pouca terra de aptidão agrícola, fomentaram a eucaliptização em detrimento da produção de alimentos e taparam as melhores terras com alcatrão e plataformas logísticas. E aqui recordamos a era cavaquista em que era mais barato importar do que produzir. Depois, num país dependente de importação de alimentos, completaram este programa com florestação de terras agrícolas que tinham boa aptidão para produzir e, por fim, o desligamento das ajudas, que é um convite ao abandono da produção, e mais uns rios de dinheiro público para os grandes proprietários sem obrigação de produzir o que quer que seja. Para a opinião pública é difícil entender os problemas da agricultura dado que governos e ministros andam há vários anos a anunciar uma chuvada de milhões de euros para a agricultura, só que estes não chegam aos verdadeiros agricultores. Entregaram o dinheiro em venda do país e do direito a produzir aos grandes proprietários, latifundiários e outros oportunistas e indirectamente à agro-indústria e à grande distribuição alimentar. São esses os beneficiários da chuva de milhões de euros, em aliança com os objectivos das multinacionais. Apesar deste quadro difícil e complexo, a solução existe. É preciso reconquistar direitos. Soberania alimentar, direito a produzir, direito a proteger-se, remunerar o trabalho não o capital. Como a história não se escreve de avanço, temos de ajudar a escrevê-la, enfrentando o sistema e globalizando a esperança e a luta.

(*) Doha, capital do Qatar, onde se iniciou um novo ciclo de negociações sobre a liberalização do comércio mundial no âmbito da OMC.

extraido do site

http://www.omilitante.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=379&Itemid=32

(algumas palavras aparecem a partir do contexto do português de Portugal)

domingo, 21 de março de 2010

2ªS SÉRIES - BARÃO DO RIO BRANCO

2ªSÉRIES


1ªS SÉRIES - CARTOGRAFIA: A LINGUAGEM DOS MAPAS

1ª SÉRIES

CARTOGRAFIA: A LINGUAGEM DOS MAPAS

INTRODUÇÃO

A cartografia envolve as técnicas de criação de mapas, sendo uma ferramenta importante para a geografia. Apresenta desafios, como, por exemplo, representar uma esfera (Terra) sobre um plano (mapa-múndi), ocorrendo distorções. Um segundo desafio é descobrir a ideologia que um mapa esconde, isto é, mapas contêm visões de mundo.

Como a Terra é redonda, o Brasil, por exemplo, pode ser visto de vários ângulos e, o mais importante, todos estão corretos.



Nesta visão, o Brasil está no centro do planeta.




ELEMENTOS PRINCIPAIS DA CARTOGRAFIA

ESCALAS são a relação entre as dimensões apresentadas em um mapa e seus valores reais correspondentes no terreno.

TIPOS

NUMÉRICA – é representada por uma fração e normalmente é dada em centímetro. Exemplo:




No exemplo acima, 1 cm no mapa é, na realidade, 500.000 vezes maior. Para resolver um exercício, normalmente transforma o número em quilômetro, obtendo-se a seguinte relação: 1 cm = 5 km.

GRÁFICA — é representada por uma linha reta graduada, tendo como módulo básico o centímetro. Exemplo:

1: 12.000.000

É NECESSÁRIO SABER FAZER ESTA REDUÇÃO NA ESCALA MÉTRICA

CONTANDO ''ZEROS'' A PARTIR DA ESQUERDA VAMOS PREENCHENDO AS CASA DA ESCALA MÉTRICA

COMO NO EXEMPLO ABAIXO



Nesse caso, 1 cm no mapa equivale 12.000.000 cm ou na realidade a 120 km.

ESTA FÓRMULA AUXILIA NO CÁLCULO



ONDE ''D'' É A DISTÂNCIA NO TERRENO (REAL) ''d'' É A DISTÂNCIA NO MAPA E ''E '' É A ESCALA USADA PARA AMPLIAR OU DIMINUIR UMA ÁREA OU TERRENO

PROJEÇÕES

Projeções envolvem a representação da Terra em um plano, destacando a rede de paralelos e meridianos da esfera terrestre. Utilizam figuras geométricas semelhantes a uma esfera ou aquelas que permitem o seu desenvolvimento, destacando-se o cone, o cilindro e o plano.








Exemplos
I. PROJEÇÃO DE MERCATOR




Nessa projeção, os paralelos e os meridianos são linhas retas que se cortam em ângulos retos, porém as áreas polares mostram tamanho exagerado. É uma projeção conforme, porque tem a vantagem de conservar a forma dos continentes, mas traz a desvantagem de deformar as áreas relativas dos continentes, isto é, a deformação aumenta próximo aos pólos.

Observando a figura acima, a América do Sul aparenta ser menor que a Groenlândia, mas, na realidade, ela tem quase 18 milhões de km2 contra 2 milhões de km2 da Groenlândia. Portanto, é uma projeção cilíndrica conforme, sendo usada na navegação. Questiona-se o eurocentrismo desta projeção.


II. PROJEÇÃO DE PETERS



É uma projeção cilíndrica equivalente, que conserva a proporcionalidade das áreas relativas entre os continentes, mas as formas são distorcidas, destacando-se o alongamento dos continentes.

ELEMENTOS SECUNDÁRIOS DA CARTOGRAFIA

CURVAS DE NÍVEL


As curvas de nível são chamadas de isoípsas e unem pontos de mesma altitude de relevo. Esse conceito apareceu na Holanda, no século XVIII e foi usado para cartografar o fundo do rio Merwede, sendo um sistema matemático baseado em levantamentos geodésicos, no qual o marco zero metro é o mar.

As curvas de nível apresentam as seguintes características:
● Representam tanto a altitude quanto a forma de relevo.
● Quando existem grandes diferenças de altitudes em pequenos espaços, as linhas apresentam-se muito próximas umas das outras; quando o relevo é suave, as diferenças são menores e as linhas apresentam-se mais distanciadas.
● De acordo com a variação da altitude, a equidistância das curvas pode ser de 10, 20, 50 ou 100 metros.






ROSA-DOS-VENTOS


A rosa-dos-ventos é um meio de orientação importante devido à extensão do planeta e serve como vocabulário da geografia, aparecendo no nosso dia-a-dia e principalmente nos vestibulares.




É formada pelos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais.
• Cardeais
– norte ou setentrional ou boreal
– sul ou meridional ou austral
– leste ou oriental ou nascente
– oeste ou ocidental ou poente

• Colaterais: ficam entre os pontos cardeais.
– nordeste (NE) – entre o norte e o leste;
– sudeste (SE) – entre o sul e o leste;
– sudoeste (SO) – entre o sul e o oeste;
– noroeste (NO) – entre o norte e o oeste.

• Subcolaterais: ficam entre os pontos cardeais e os colaterais.
NNE = nor-nordeste
ENE = es-nordeste
ESE = es-sudeste
SSE = su-sudeste
SSO = su-sudoeste
OSO = oes-sudoeste
ONO = oes-noroeste
NNO = nor-noroeste

COORDENADAS GEOGRÁFICAS

Conjunto de linhas imaginárias traçadas sobre a superfície terrestre, objetivando localizar qualquer lugar ou ponto.

• Latitude: é a distância em graus de um ponto qualquer da superfície terrestre à linha do Equador, variando de 0° a 90° tanto para o norte como para o sul.

• Longitude: é a distância em graus de um dado ponto da superfície terrestre ao meridiano de origem (Greenwich), variando de 0° a 180° para leste e para oeste.




Para compreender melhor as coordenadas, é fundamental lembrar-se das principais linhas imaginárias.
• Paralelos: círculos menores e paralelos ao Equador (divide a Terra em dois hemisférios).






• Meridianos: são círculos máximos que passam pelos pólos, destacando o principal: Greenwich (divide a Terra em dois hemisférios).




EXERCÍCIO

- IDENTIFIQUE AS POSIÇÕES DOS PONTOS ''A'', ''B'', ''C'', ''D'' e ''E'' QUE APARECEM NA FIGURA A SEGUIR





FONTE CURSO VESTIBULAR OSWALDO CRUZ

2ªS SÉRIES - A COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL

2ª SÉRIES

A Colonização Portuguesa

Capitanias Hereditárias

Como Portugal não tinha recursos próprios para implantar um sistema administrativo em sua colônia americana, resolveu transferir o ônus da colonização para a empresa particular. Dessa forma, D. João III dividiu o Brasil em 14 capitanias, perfazendo 15 lotes, distribuídos a 12 donatários.

O donatário passaria a ser a autoridade máxima dentro de sua Capitania, tendo a responsabilidade de desenvolvê-la com seus recursos, e, com a sua morte, a administração passaria para seus herdeiros. Daí, sua denominação de Capitanias Hereditárias.

A opção pelo sistema de Capitanias Hereditárias foi determinada por uma série de fatores: primeiro, Portugal já tinha experiência do sistema, utilizado anteriormente nas suas ilhas do Atlântico com relativo sucesso; segundo, Portugal não tinha condições financeiras para arcar com as despesas na montagem do aparelho administrativo necessário para sustentar a colonização.

A ligação jurídico-política entre o rei de Portugal e os capitães – donatários – ficou estabelecida em dois documentos básicos:


Carta de Doação

Conferia ao donatário a posse hereditária da terra, não podendo ele vendê-la ou doá-la, a não ser para Portugal.


Carta Foral

Estabelecia os direitos e deveres dos donatários, relativos à exploração da terra, como, por exemplo, escravizar índios, criar vilas e distribuir sesmarias, pagar 10% dos lucros sobre todos os produtos da terra, assim como o quinto sobre os metais preciosos que fossem encontrados.

Entretanto, o sistema de Capitanias Hereditárias não alcançou, principalmente do ponto de vista econômico, o sucesso desejado, pois somente as Capitanias de São Vicente e Pernambuco prosperaram, principalmente Pernambuco, de Duarte Coelho, que tinha ligações estreitas com a Metrópole e com os capitalistas holandeses. Quanto a São Vicente, decaiu poucos anos depois, entrando em uma economia de subsistência.

As causas que levaram ao fracasso podem ser resumidas nos seguintes fatores:

1) falta de recursos financeiros de alguns donatários;
2) ataques indígenas;
3) dificuldades de comunicação entre as Capitanias e Portugal, decorrentes das enormes distâncias e da precariedade dos meios de transporte;
4) excessiva descentralização administrativa.

Nesse contexto, foi inevitável a participação direta do Estado português na administração colonial, a fim de apoiar a iniciativa particular e dar continuação ao processo colonizador.

O Governo Geral

O Governo Geral foi criado para complementar o sistema de Capitanias Hereditárias, centralizando a administração colonial e coordenando a ação dos donatários, e não propriamente extinguindo o sistema de Capitanias.
Dessa forma, Portugal comprou a Capitania da Bahia, localizada num ponto central do litoral da colônia, facilitando a comunicação entre as demais capitanias e a capital.

Em 1548 foi elaborado o Regimento instituindo o Governo Geral, com Tomé de Sousa sendo o responsável pela administração do novo sistema de governo colonial. O Regimento estabelecia ainda a instalação de um aparelho administrativo composto pelo ouvidor-mor , pelo provedor-mor e pelo capitão-mor da costa. Os primeiros governadores gerais foram:

Tomé de Sousa (1549–1553)

Ao desembarcar na Bahia, Tomé de Sousa é recepcionado por Caramuru e pelos índios tupinambás

Fundou a cidade de Salvador para ser a sede da administração colonial, trazendo os primeiros jesuítas, entre eles Manoel da Nóbrega, e criando o primeiro bispado da colônia. Introduziu a criação do gado bovino.

Duarte da Costa (1553–1558)

Trouxe outros jesuítas, dentre os quais José de Anchieta. Em seu governo ocorreram sérios desentendimentos com o bispo D. Pero Fernandes Sardinha, provocados principalmente pelas críticas que o bispo fazia ao comportamento moral de Álvaro da Costa, filho do governador. Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro fundando a chamada França Antártica, colônia de refugiados calvinistas. No ano anterior, em 1554, houve a fundação de São Paulo pelos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.


Mem de Sá (1558–1572).

Consolidou a administração colonial por meio da expansão agrícola, da criação de gado e do aumento do volume do tráfico de escravos. Em 1563 os jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fizeram a Paz de Iperoig com os índios tamoios que ameaçavam São Paulo e São Vicente. Expulsou os franceses com o auxílio de tropas portuguesas comandadas por seu sobrinho Estácio de Sá, que fundou a cidade do Rio de Janeiro.

Em 1573, devido à extensão territorial e ao perigo de invasões estrangeiras, Portugal resolveu dividir a administração colonial: uma administração ao norte, com capital em Salvador, e outra ao sul, com capital no Rio de Janeiro.

Todavia, em 1578, o rei D. Sebastião, não satisfeito com os resultados da experiência, decidiu reunificar novamente a administração e, assim, Salvador retornou à condição de capital da colônia.

As Câmaras Municipais

São as Câmaras Municipais que constituem a verdadeira e quase única administração da colônia.

(...)

Nas eleições para os cargos administrativos votam apenas os “homens-bons”, a aristocracia rural, como se chamavam os proprietários. O poder das Câmaras é pois dos proprietários. E seu raio de ação é grande, muito maior que o estabelecido nas leis. Vemos Câmaras fixarem salários, preços de mercadorias, proporem e recusarem tributos reais, proverem sobre o comércio e a administração pública em geral, chegando a substituir governadores e capitães.

Algumas Câmaras mantinham até representantes efetivos em Lisboa, tratando assim diretamente com o governo metropolitano, passando por cima da autoridade colonial. Dessa forma, o estado colonial apresenta-se, até meados do século XVII, como instrumento de classe desses proprietários.

É desses, portanto, e só destes, o poder político da colônia. Ele é, por isso, necessariamente disperso. Em cada região, é a Câmara respectiva que exerce o poder.


As poderosas câmaras municipais, de espírito autonomista e defensoras dos interesses locais, tiveram seus poderes reduzidos quando da criação do Conselho Ultramarino em 1642, que implantou uma política de extrema centralização administrativa.

A Economia Açucareira

A decisão de Portugal de colonizar o Brasil é resultado de três fatores principais.

1) A decadência do comércio português no Oriente por causa, principalmente, da concorrência estrangeira. Por outro lado, Portugal sofre pressões políticas de outros países europeus descontentes com a partilha luso-espanhola.

2) A crise econômica por que passa Portugal, resultado da decadência do comércio oriental.

3) O receio de perder o território, ou parte dele pelo menos, para os franceses, que já faziam contrabando de pau-brasil há muito tempo.

Dessa forma, o rei D. João III resolveu enviar ao Brasil a expedição de Martim Afonso de Sousa com a missão de implantar o sistema colonial.

A colonização, nas circunstâncias do momento, deveria obedecer à falta de recursos para a montagem da empresa colonial e, ao mesmo tempo, extrair o máximo possível.

Assim, Portugal resolveu, no âmbito econômico, o estabelecimento da agroindústria açucareira e, no âmbito político-administrativo, implantação do sistema de Capitanias Hereditárias e, posteriormente, do Governo Geral.

A colonização foi feita no contexto do mercantilismo, destacando-se o monopólio comercial, ou exclusivo metropolitano, que dava para a burguesia portuguesa a exclusividade de comprar os produtos coloniais ao preço mais baixo possível, revendendo-os na Europa com grandes lucros.

Por outro lado, a burguesia também tinha o direito de revender produtos europeus dentro do mercado colonial ao preço mais alto possível.

O açúcar já era conhecido dos europeus desde a época medieval, quando os cruzados o trouxeram do Oriente. Mais tarde, passou a ser cultivado, em pequena escala, no sul da Itália.

Tanto do Oriente como do sul da Itália, o distribuidor era a República de Veneza, que vendia o açúcar em pequenas quantidades, dado seu grande valor.

O açúcar passou a ser mais consumido quando Portugal começou a produzi-lo nas ilhas do Atlântico (Madeira e Cabo Verde) e a distribuição ficava a cargo dos holandeses.

MONOCULTURA+LATIFÚNDIO+ESCRAVIDÃO > MERCADO DE EXPORTAÇÃO
= ESPAÇO EXTROVERTIDO (PLANTATION)

Com a decisão de colonizar o Brasil e dele retirar lucros, Portugal resolveu sustentar a empresa colonial com a produção açucareira.

Os fatores principais que compõem a estrutura da economia açucareira são:
a) grandes propriedades;
b) monocultura;
c) mão-de-obra escrava
d) produção voltada para o exterior;
e) participação holandesa (investimentos, transporte, refinação e distribuição na Europa).

O Engenho – A Unidade de Produção

O engenho era a unidade produtiva da economia açucareira. Localizava-se no interior da grande propriedade, sendo composto de: casa-grande, senzala, capela e casa do engenho.

A casa-grande era a residência do senhor de engenho e centro de comando de toda atividade econômica e social do engenho; a senzala era um grande galpão onde habitavam os escravos negros, em precária situação, às vezes amontoados uns aos outros; a capela era o local onde se realizavam os serviços religiosos e centro de reunião nos batizados, casamentos e funerais; a casa do engenho abrangia todas as instalações destinadas ao preparo do açúcar e era composta de moenda, fornalhas, casa de purgar e galpões.

A Sociedade Açucareira

A sociedade colonial do período açucareiro, que se desenvolveu nos séculos XVI e XVII, refletia, sem dúvida, as relações de produção existentes. Assim, a estrutura dessa sociedade estava baseada, essencialmente, em duas classes opostas: de um lado, a classe senhorial ou de proprietários, e de outro, a dos escravos.

Numa faixa intermediária, servindo aos interesses da classe dominante, encontravam-se homens brancos desempenhando várias funções: lavradores livres, feitores, padres das capelas, mestres-de-açúcar, etc.

Como as relações de produção e quase todas as sociais se davam no campo, essa sociedade apresentava o caráter rural; por outro lado, por ser baseada na posse da terra e existirem escravos, era estratificada; por fim, era também patriarcal em virtude dos grandes poderes que acumulavam os senhores de engenho, tanto na família como na sociedade.

2ªS SÉRIES - EXPANSÃO TERRITORIAL DO BRASIL II

2ª SÉRIES

As Drogas do Sertão e as Entradas

As entradas foram expedições organizadas pela metrópole portuguesa, com os objetivos de:

- defesa do território,
- exploração econômica da Amazônia e
- aproveitamento econômico do Prata.


Defesa do território

Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro, até então praticamente despovoado pelos portugueses. Aliando-se aos índios tamoios, fundaram a França Antártica, colônia comercial que também serviria de refúgio aos protestantes (calvinistas) franceses.

A expulsão dos franceses foi feita pelo governador Mem de Sá, auxiliado pelo seu sobrinho Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro, garantindo, desta forma, a ocupação da região pelos portugueses.

Entretanto, os franceses voltaram a atacar o Brasil durante o domínio espanhol (1580-1640), refletindo as rivalidades econômicas e políticas entre França e Espanha.

Os franceses invadiram o Maranhão, aliando-se novamente com o elemento indígena.

À medida que ocorria o movimento de expulsão, foram sendo fundados fortes que dariam origem a importantes núcleos de povoamento, consolidando assim a ocupação e a defesa do Nordeste: Forte de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, fundado por Frutuoso Barbosa, em 1585, originando João Pessoa (Paraíba); Forte dos Reis Magos, fundado em 1597 por Mascarenhas Homem, que deu origem a Natal (Rio Grande do Norte); Forte de Nossa Senhora do Amparo, fundado por Martim Soares Moreno, em 1613.

O Forte de São Luís foi levantado pelos franceses no Maranhão, quando pretendiam instalar na região a França Equinocial, em 1612, que seria uma colônia voltada para a exploração das riquezas na região. O movimento de expulsão dos franceses foi comandado por Jerônimo de Albuquerque e Alexandre Moura. A ocupação pelos portugueses do Forte de São Luís deu origem à cidade de São Luís do Maranhão.

Exploração econômica da Amazônia/ as drogas do sertão

A conquista e ocupação da região amazônica se fez através da expedição de Pedro Teixeira, de 1637 a 1639, que subiu o rio Amazonas fundando vários núcleos de povoamento e fortes militares. Ao retornar ele foi nomeado capitão-mor da recém-criada capitania do Pará, que englobava Amazonas e Pará. A colonização, contudo, sedimentou, graças aos jesuítas que exploravam a mão-de-obra indígena, por meio das Missões, na colheita das “drogas do sertão”.

Aproveitamento econômico do Prata

Atraído pelo importante comércio da região do rio da Prata em razão também do contrabando com a área espanhola, Portugal ordenou, em 1680, a fundação oficial da Colônia do Sacramento, na margem esquerda do rio, sinalizando seus reais interesses na região. Parte dessa região seria povoada e ocupada posteriormente pela pecuária, atraindo paulistas e imigrantes açorianos para a região.

A expansão territorial,facilitada pelo Domínio Espanhol (1580-1640) e realizada por diversos fatores, como as bandeiras, a pecuária e a expansão oficial, levou Portugal e Espanha a realizarem vários tratados sobre os limites territoriais.

O mais importante foi o de Madri, de 1750, que deu, mais ou menos, a atual configuração geográfica do Brasil. O defensor dos direitos portugueses foi Bartolomeu de Gusmão, que se baseou no Direito Romano, utilizando o preceito do uti possidetis.


A Mineração


Desde a descoberta e, posteriormente, com a colonização, os portugueses sonhavam em encontrar metais preciosos no Brasil. Durante todo o século XVI, Portugal organizou “entradas” para o interior, a fim de desbravar os sertões à procura de ouro.

O movimento bandeirante, desenvolvido em princípios do século XVII, realizou diversas expedições pelo sertão à procura do ouro, até encontrá-lo em Minas Gerais.
Para que os escravos não engolissem as pedras encontradas, cada um era vigiado por um feitor, numa espécie de linha de montagem.

A exploração do minério não exigia grandes capitais nem sequer técnicas avançadas, pois o ouro obtido nesta época foi, basicamente, o “ouro de aluvião”, isto é, o ouro que fica na superfície dos leitos dos rios ou do solo. A organização da produção foi feita através de unidades que se compunham de dois tipos:

• Lavras – unidades de grande porte, dispondo de aparelhos mais sofisticados e usando um grande número de escravos;

• Faisqueiras – unidades pequenas e móveis, trabalhadas pelos próprios interessados, ou por escravos que pagavam aos seus senhores uma contribuição. Eram as unidades mais freqüentes.


Dessa forma, a produtividade era bastante oscilante e temporária, obrigando a sua alta especialização e, por conseguinte, a uma grande dependência de outros setores em função de determinados bens e serviços.

O abastecimento da região mineradora era feito pela pecuária sulista e nordestina, por meio das tropas de mulas, pela agricultura paulista e pelas importações da metrópole.


Assim, a mineração atuou como centro de distribuição de renda e dinamização do mercado interno colonial, ao contrário da economia açucareira que, além de pagar todos os bens e serviços ao mercado externo, concentrou a renda em mãos de uma minoria representada pelos senhores de terras e engenho.
A Regulamentação da Economia Mineira

Com o crescimento da produção aurífera, a metrópole decidiu aumentar a fiscalização, ao mesmo tempo em que criou legislação e administração:

• 1603: a exploração de ouro foi declarada livre mediante o pagamento do “quinto”;

• 1702: criação da Intendência das Minas, com o objetivo de regular a distribuição das datas e controlar a cobrança do “quinto”;

• 1720: implantadas as Casas de Fundição, com a finalidade de transformar o ouro em barras de tamanho e pesos oficiais, timbradas com o selo real e já “quintadas”;

• 1735: criado um novo imposto, “capitação”, pelo qual o minerador devia pagar 17 gramas de ouro por escravo que possuísse;

• 1750: é estipulada a cota fixa de 100 arrobas de ouro, paga por Minas Gerais anualmente;

• 1765: devido ao declínio da produção e à conseqüente demora no pagamento de impostos atrasados, Portugal decretou a “derrama” – cobrança oficial e quase sempre feita de maneira violenta.

A partir da década de 1760, a produção de ouro começou a declinar, provocada principalmente pelo esgotamento natural das jazidas, pelas técnicas deficientes e, em grande parte, pela sobrecarga tributária imposta pela Metrópole sobre os mineradores.

Em fins do século XVIII, a região mineradora entra em fase de economia de subsistência, sendo substituída no cenário econômico colonial pelo Renascimento Agrícola, representado pela expansão da cultura do algodão no Maranhão, exportado para a Inglaterra, devido à interrupção de suas importações feitas nas 13 colônias (EUA), agora em processo de independência.


O Tratado de Methuen

A descoberta das minas, em fins do século XVII, vem realizar finalmente o velho sonho português. Mas, além disso, o acontecimento surge como verdadeira salvação para a grave situação da economia metropolitana, cada vez mais decadente após sair do domínio espanhol – e dependente do comércio inglês.

Prova clara disso é o Tratado de Methuen (1703), pelo qual a Inglaterra abre seus mercados ao vinho português, e Portugal abre os seus aos tecidos ingleses. No fim, quem arca com o déficit do comércio metropolitano é o produto da mineração brasileira.

Diante disso, é inegável a importância maior da mineração para o mercantilismo português, explicando-se, assim, a rigidez da fiscalização sobre ela exercida, e a tributação que de tão pesada acaba por asfixiá-la depois de meio século de contínua expansão.

Enquanto a Inglaterra aplicava o ouro obtido com o Tratado de Methuen em indústrias, Portugal e sua colônia o aplicavam em igrejas e conventos.

As Conseqüências da Mineração

As conseqüências da economia mineira constituíram-se em elementos importantes na formação do Brasil independente, criando, assim, as bases necessárias para uma conscientização de ruptura em relação a Portugal:

• deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Sudeste;

• desenvolvimento de um mercado interno, graças à ligação da economia mineira com outras regiões da colônia;

• aumento da população colonial (de 300 mil habitantes para 3 milhões);

• formação de uma camada social média;

• urbanização;

• transferência da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro (1763);

• enfraquecimento do equilíbrio do sistema colonial devido à opressão fiscalista, provocando o rompimento entre a classe dominante da colônia e a Metrópole.

Aspectos Culturais da Colônia

O crescimento urbano e social bem como o aumento da riqueza, graças à mineração, possibilitaram o surgimento de uma elite letrada que promoveu a expansão das manifestações culturais na Colônia. No decorrer do século XVIII, a literatura, a arquitetura, a música e as artes plásticas começaram a ganhar contornos próprios mesmo sofrendo uma profunda influência dos países europeus.

Padre Antônio Vieira (1608-1697) é certamente um dos maiores escritores da língua portuguesa. Veio ao Brasil e, como jesuíta, dedicou parte de sua vida à colônia, fazendo pregações na Bahia, em Olinda e São Luís. Ocupou vários cargos na corte e esteve em vários países em missões diplomáticas.

Convicto de certas posições, em 1665 foi processado pela Inquisição por defender os cristãos-novos; condenado por suas opiniões consideradas heréticas, foi, entretanto, anistiado logo depois.

Autor de vários sermões importantes, como o Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (1640), cujo intento era barrar o avanço dos protestantes holandeses e garantir a viabilidade da máquina mercantil portuguesa.

Antes do século XVIII houve, evidentemente, importantes realizações culturais, como, por exemplo, os sermões do Padre Vieira e a obra poética e satírica de Gregório de Matos. Porém, somente com a consolidação e urbanização da sociedade de Minas Gerais é que foi possível o surgimento de três condições essenciais para se poder falar em literatura propriamente dita: autor, obra e público.

A partir daí, foram criados hábitos até então inexistentes na sociedade colonial. Os saraus que a alta sociedade promovia incluíam sessões musicais além de recitais de poesia. As missas passaram a ser cantadas, aumentando a produção de músicas sacras e destacando-se José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, que compôs obras de grande valor artístico, como, por exemplo, Antífona de Nossa Senhora.

O movimento iluminista que se desenvolvia na Europa, especialmente na França, exerceu forte influência sobre a elite cultural das Minas Gerais, apesar das proibições da metrópole quanto à entrada de obras de pensadores iluministas, como Voltaire e Rousseau

Em meados do século XVIII, apareceram as primeiras agremiações literárias, como a Arcádia Ultramarina, na qual se destacavam Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, conhecidos como a Plêiade Mineira. Mas não foi apenas em Minas Gerais que despontaram literatos, pois na Bahia foram fundadas a Academia Brasílica dos Esquecidos e a Academia dos Renascidos; no Rio de Janeiro, surgiu a Academia dos Felizes.

Foram os árcades mineiros que introduziram o sentimento de nacionalismo na literatura, possível de se perceber nas obras de todos os componentes da Plêiade Mineira. Nas Cartas chilenas, por exemplo, obra satírica atribuída a Tomás Antônio Gonzaga, as idéias nacionais e de combate à opressão aparecem claramente, conforme escreve Joaci P. Furtado: “as Cartas Chilenas são um poema satírico (...) que Critilo, escrevendo de Santiago do Chile, remete a Doroteu na Espanha, criticando o governo de Fanfarrão Minésio (...).

Não há dúvida de que o poema está repleto de referências à administração de D. Luís da Cunha Meneses, governador da capitania de Minas Gerais de 1783 a 1788.” Critilo (Gonzaga) escreve, como se estivesse no Chile, a seu amigo Doroteu (Cláudio Manuel da Costa), que estava na Espanha, criticando um fictício governador chileno que, na realidade, era o governador das Minas.

Todo esse cuidado em disfarçar a crítica se justificava pela violência com que a metrópole portuguesa costumava tratar os colonos que questionavam a exploração colonial. Os intelectuais de Vila Rica, assim como os artistas, pensavam e expressavam a crítica por meio de sua arte e ajudavam a criar a cultura brasileira, apesar de todo o controle exercido pela Coroa.

Talvez isso explique a nossa mania de censurar os meios de comunicação, nos dias atuais e, especialmente, nos períodos ditatoriais, como no Estado Novo (1937-1945) e nos governos militares (1964-1985).

É bom lembrar também, que Portugal proibia a circulação de livros e a publicação de jornais, como também não se preocupou em implantar o ensino superior na colônia, enquanto nas colônias espanholas e inglesas proliferavam as faculdades e universidades.

Aliada à grande riqueza que durante o século XVIII circulou nas Minas Gerais, a vida urbana que se criou em torno da exploração mineral foi campo fecundo para o desenvolvimento das artes na Colônia.

O barroco, a mais forte expressão da arte mineira, revelava a prosperidade da região; a produção foi tão intensa que havia trabalho para um grande número de artífices.

As principais obras de arquitetura, pintura e escultura foram religiosas. As igrejas imponentes eram decoradas com entalhes em madeira, pinturas nas paredes laterais e nos tetos, retratando cenas da vida de Cristo, além dos muitos detalhes pintados com ouro em pó misturado a um tipo de cola para dar aderência.

As pinturas mais importantes são de autoria de Manuel da Costa Ataíde, o melhor pintor brasileiro do período colonial; foi ele quem pintou o teto da igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, onde retratou uma Nossa Senhora mulata cercada por anjinhos também mulatos.

Essa atitude do mestre Ataíde revela um traço muito importante da arte mineira: o engajamento social dos artistas; muitos deles mestiços ou de origem pobre aproveitavam-se da arte para fazer crítica social e política, coisa que não podiam fazer diretamente sob risco de serem presos e condenados por crime de lesa-majestade.

Antonio Francisco Lisboa, chamado de Aleijadinho por causa das deformações provocadas por uma doença, foi o mais criativo dos artistas mineiros. A beleza de suas esculturas é conhecida no mundo todo. Sua genial produção artística está espalhada por várias cidades da região das Minas, como Ouro Preto, São João Del Rei, Congonhas do Campo e Sabará.




Suas esculturas traduzem a efervescência cultural e social em que viveu. O mulato Francisco Lisboa vivia na pele as dificuldades de se pertencer ao grupo dos dominados e discriminados na sociedade escravista e preconceituosa do Brasil colonial, que opunha brancos e negros e destinava a estes, por mais talentosos que fossem, a condição de inferioridade social.


Além desse traço pessoal, sua arte traduz a vida intelectual e política de Vila Rica. É possível que o escultor tenha participado da Inconfidência Mineira; com certeza sabe-se que era amigo de Cláudio Manuel da Costa. Os seus trabalhos mais importantes foram de caráter religioso, nos quais ele fez críticas aos portugueses.

No conjunto de esculturas que formam Os Passos de Cristo antes da Crucificação, na cidade de Congonhas do Campo, o genial mulato esculpiu os soldados romanos com expressão animalesca, numa clara associação entre aqueles que eram a repressão no tempo de Cristo e os portugueses que eram a repressão na sociedade em que ele vivia.

Há ainda o fato de que a imagem de Cristo morto tem a marca de uma corda no pescoço, o que muitos estudiosos entendem que se trata de uma representação de Tiradentes, morto na forca.

Embora seu engajamento político e social tenha dado à sua obra um valor especial, o que mais impressiona é realmente a beleza de seu trabalho, considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas), com outras relíquias do tempo da mineração, patrimônio da humanidade.

FONTE: CURSO VESTIBULAR OSWALDO CRUZ